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Haddad: "São Paulo está remando contra o Brasil"

Ex-ministro acusa governador de sabotar ações federais, critica privatizações e promete revisar contratos da gestão paulista

Tarcísio de Freitas / Fernando Haddad (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP / Diogo Zacarias/MF / Gilberto Marques/GovSP / IA / Brasil 247)
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247 - O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que decidiu disputar o governo de São Paulo em 2026 após ser convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o estado precisa voltar a atuar em sintonia com os interesses nacionais. Em entrevista ao programa Frente à Frente, do UOL e da Folha de S.Paulo, Haddad fez um duro ataque à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou privatizações, contestou acusações sobre aumento de impostos e acusou o adversário de manter proximidade política com a extrema direita.

Segundo Haddad, Lula argumentou que São Paulo não pode continuar adotando posições que, na visão do petista, dificultam iniciativas do governo federal. "O principal argumento que o presidente me deu foi que São Paulo não pode continuar remando contra o país em desfavor dos próprios paulistas", afirmou.

Ao justificar sua entrada na disputa, Haddad disse que estava concentrado na conclusão dos trabalhos à frente do Ministério da Fazenda e na consolidação da recuperação econômica do país, mas acabou convencido de que a situação do estado exigia uma alternativa política.

"O Brasil está muito melhor do que estava em 2022. Eu queria concluir esse processo, mas o presidente me chamou a atenção para as fragilidades do governo de São Paulo", declarou.

Crítica a Tarcísio

Ao longo da entrevista, Haddad reservou suas críticas mais contundentes ao governador paulista. O ex-ministro afirmou que Tarcísio tem se colocado sistematicamente contra propostas do governo federal, especialmente na área da segurança pública.

Para ele, a resistência do governador à PEC da Segurança Pública demonstra falta de compromisso com uma estratégia nacional de combate ao crime organizado.

"O presidente quer integrar inteligência da Polícia Federal, Receita, Ministério Público, Coaf e forças estaduais. O que Tarcísio faz é sabotar esse esforço", acusou.

Haddad também elevou o tom ao abordar a relação do governador com o bolsonarismo.

"Ele namora a extrema direita. Não quer perder esse eleitorado, mas também não quer parecer tão radical quanto ele", afirmou.

Em um dos momentos mais duros da conversa, questionou a postura do governador diante dos ataques às instituições democráticas.

"Ele nunca se manifestou claramente sobre o 8 de Janeiro. Nunca disse com todas as letras o que pensa sobre a ditadura militar. Tenho dúvidas se teria coragem de dizer."

Privatização da Sabesp na mira

Outro alvo da entrevista foi a privatização da Sabesp. Haddad voltou a criticar o processo conduzido pelo governo estadual e afirmou que, caso seja eleito governador, fará uma revisão minuciosa dos contratos firmados pela atual gestão.

"Vou analisar todos os contratos assinados pelo Tarcísio. Se houver cláusulas abusivas contra os consumidores, elas serão questionadas."

Sem defender explicitamente a reestatização da companhia, o ex-ministro deixou aberta a possibilidade de mudanças profundas.

"Cada concessão tem suas particularidades. É preciso ler os contratos e defender o interesse público."

Haddad ainda citou problemas recentes no abastecimento de água e acidentes envolvendo obras da companhia para sustentar suas críticas à privatização.

Resposta ao apelido "Taxad"

Questionado sobre os ataques da oposição que o associam ao aumento de impostos, Haddad rebateu com veemência e afirmou que a narrativa ignora o que considera uma correção de privilégios tributários.

"Tirar privilégios não é criar imposto."

Segundo ele, diversas medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda apenas passaram a cobrar tributos de setores que anteriormente gozavam de benefícios fiscais.

"Quando uma empresa que não pagava imposto passa a pagar, isso não significa que um imposto foi criado. Significa que houve justiça tributária."

O petista também lembrou que sua gestão ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e afirmou que cerca de 15 milhões de brasileiros deixaram de pagar o tributo.

Caso Banco Master

Haddad também reagiu às declarações do senador Sérgio Moro, que recentemente associou o PT aos escândalos envolvendo o Banco Master.

Classificando a acusação como "um deboche", o ex-ministro sustentou que os problemas da instituição financeira surgiram durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central.

"O Banco Master cresceu durante o governo Bolsonaro. Os alertas foram feitos inúmeras vezes e foram ignorados."

Haddad afirmou ainda que se recusou a receber Daniel Vorcaro, controlador do banco, durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda.

"Eu sabia qual era o objetivo da aproximação. Fui alertado e mantive distância."

Segurança pública como prioridade

Ao apresentar linhas gerais de sua futura plataforma eleitoral, Haddad disse que a segurança pública será o principal tema da campanha.

Ele prometeu um programa baseado na integração entre forças policiais, inteligência e combate às estruturas financeiras do crime organizado.

"Vou apresentar para São Paulo o melhor programa de segurança pública que este estado já conheceu."

Segundo ele, o modelo terá como foco tanto o enfrentamento das organizações criminosas quanto a proteção de mulheres, idosos, crianças e pessoas com deficiência.

Futuro do PT

Apesar de ser apontado frequentemente como um dos possíveis herdeiros políticos de Lula, Haddad evitou discutir cenários para a sucessão presidencial de 2030.

Para ele, antecipar essa discussão seria um erro estratégico.

"Não é hora de escolher herdeiros. É hora de trabalhar e permitir que novas lideranças surjam dentro do campo progressista."

Ao encerrar a entrevista, Haddad demonstrou confiança no desempenho de Lula em 2026 e afirmou acreditar que a extrema direita enfrenta desgaste em diversos países.

"Onde a extrema direita governa, ela deixa um rastro de destruição. É isso que as pessoas estão começando a perceber."

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