"Os Bolsonaro continuam jogando contra o país", diz Haddad
Pré-candidato ao governo de SP dize que classificação do PCC e CV como terroristas, articulada pelos irmãos Bolsonaro, pode prejudicar o pais
247 - O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou neste sábado (30) a articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo dos Estados Unidos para que as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas. A declaração foi dada durante evento realizado no Largo do Arouche, na região central da capital paulista.
Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, Haddad também questionou o apoio manifestado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à iniciativa liderada pelo senador bolsonarista. O petista classificou como inadequado o respaldo dado pelo governador à medida.
“O presidente Lula fez inúmeras reuniões com o governo americano, isso nunca foi nem pauta. Então, os Bolsonaro, Flávio, Eduardo, eles continuam jogando contra o país. E o estranho é o governador Tarcísio elogiar isso, como se isso fosse um grande gesto. Isso não é um grande gesto, isso depõe contra o país, tá bom?”, afirmou Haddad.
A reação do ex-ministro ocorreu dois dias após Tarcísio parabenizar publicamente Flávio Bolsonaro pela articulação junto às autoridades norte-americanas. Em publicação nas redes sociais, o governador declarou que “PCC e CV não são facções: são terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras”.
Durante a entrevista, Haddad defendeu que o enfrentamento às organizações criminosas deve ser tratado como uma questão de segurança pública, e não como tema de defesa nacional. Na avaliação do petista, a estratégia defendida pelos bolsonaristas pode comprometer mecanismos de cooperação já existentes entre os dois países.
“Quando você cria uma hierarquia entre dois países, como eles tão fazendo, você trava processos de cooperação técnica, de troca de informações que estavam em curso e onera os custos pra economia brasileira”, declarou.
O pré-candidato também ressaltou que Brasil e Estados Unidos mantêm historicamente relações de cooperação em diferentes áreas e criticou o que considera uma postura prejudicial de setores da extrema direita brasileira nas relações internacionais.
“Essa turma mais de extrema direita devia pensar nos prejuízos que eles causaram na pandemia e agora nos prejuízos que eles estão causando à relação interestatal, entre duas nações que sempre cooperaram entre si. Nunca houve desavença, nós sempre cooperamos, Brasil e Estados Unidos, né? Em todos os governos”, disse.
Haddad ainda afirmou que empresários já demonstram preocupação com os possíveis efeitos econômicos da iniciativa e voltou a criticar a atuação da família Bolsonaro nas relações com os Estados Unidos. Segundo ele, negociações dessa natureza deveriam ocorrer por meio dos canais institucionais do governo brasileiro.
“É fumaça, que encarece, cria uma subserviência do Brasil, e isso pedido por brasileiros. Quer dizer, tem um governo no Brasil, né? Isso tem que ser acertado com o governo brasileiro”, concluiu.


