"Haddad é muito competitivo e tem condições de vencer", diz Emídio de Souza
Deputado avalia que ex-ministro entra competitivo na disputa paulista e vê cenário aberto contra Tarcísio em 2026
247- Fernando Haddad será o candidato do campo liderado por Lula ao governo de São Paulo em 2026, segundo avaliação do deputado estadual Emídio de Souza, que vê a disputa contra Tarcísio de Freitas em aberto e considera que o ex-ministro já entra na pré-campanha com competitividade eleitoral, presença consolidada junto ao eleitorado e espaço para ampliar alianças no estado.
Em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, Emídio disse que Haddad já está definido como nome do grupo para a sucessão paulista e afastou dúvidas sobre a construção dessa candidatura. “O Haddad será o nosso candidato a governador de São Paulo”, afirmou. Segundo ele, a decisão política já está tomada e se insere em uma estratégia que vincula a eleição estadual à disputa nacional.
Ao tratar do cenário em São Paulo, Emídio destacou que Haddad disputará o Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez. “O Haddad foi o nosso candidato em 22, será em 26 também”, declarou. Para o deputado, a repetição da candidatura tem peso político porque evita a necessidade de apresentar um novo nome ao eleitorado e preserva uma base já conhecida na memória da disputa anterior.
Na avaliação do parlamentar, esse fator pode ter efeito direto sobre o desempenho eleitoral da oposição paulista. “É bom porque você já tem um eleitorado, já está na memória do eleitorado, você não tem que construir um nome novo a cada eleição”, disse. A observação de Emídio aponta para uma leitura segundo a qual Haddad parte de um patamar mais estruturado do que em outros momentos da história recente da esquerda no estado.
Emídio também contestou a ideia de que a eleição paulista estaria resolvida em favor de Tarcísio. Segundo ele, as primeiras pesquisas da corrida estadual mostram uma disputa competitiva, sem margem para tratar o atual governador como favorito absoluto. “Bastou sair as duas, três primeiras pesquisas para mostrar que isso é um engano”, afirmou. Para o deputado, embora Tarcísio tenha vantagens por ocupar o cargo, o quadro está longe de indicar uma definição antecipada.
Ao comentar os números das pesquisas, Emídio sustentou que a diferença entre os dois principais nomes permanece dentro de uma faixa reversível. “Haddad é muito competitivo”, declarou. Em seguida, detalhou sua leitura sobre o cenário: “Nas pesquisas, o Haddad aparece seis pontos atrás. Quer dizer, é muito pequena a diferença e há todas as condições de reverter esse resultado e vencer as eleições em São Paulo”.
O deputado observou ainda que Haddad já aparece com índices expressivos antes mesmo da formalização oficial de sua candidatura. Segundo ele, esse dado reforça a avaliação de que a oposição paulista tem condições reais de crescer no debate estadual à medida que a campanha ganhar contornos mais definidos. Em sua fala, Emídio mencionou levantamentos em que o ex-ministro surge com 36% em um cenário e 42% em outro, diante de Tarcísio com 42% e 49%, respectivamente.
Para Emídio, a principal explicação para essa configuração é que a polarização estadual ainda está em processo de consolidação. Ele argumentou que, ao contrário da disputa presidencial, em que os campos políticos estão mais claramente organizados há mais tempo, a corrida em São Paulo começou a se definir há pouco. “Em São Paulo isso não existia. Até dois meses atrás não se sabia nem se o Tarcísio seria candidato ou não. E não havia um nome da oposição”, afirmou.
Na leitura do parlamentar, esse quadro muda com a entrada de Haddad como referência da oposição no estado. “Agora a oposição tem o nome, que é do ex-ministro Fernando Haddad”, disse. A partir disso, segundo ele, o embate político tende a ganhar densidade, tanto no confronto de projetos quanto na apresentação de propostas de governo.
Emídio também relacionou o potencial de crescimento de Haddad à montagem de uma aliança política mais ampla e à avaliação do atual governo paulista ao longo da campanha. “Uma agenda de pré-candidatura, mais um programa de governo robusto, mais a aliança que está se formando e o próprio julgamento do governo do Tarcísio vai fazer essa eleição se embolar ainda mais e com toda a condição do Haddad vencer”, afirmou.
Outro ponto destacado por Emídio foi o papel que Geraldo Alckmin pode desempenhar no interior paulista. Segundo ele, o vice-presidente deve ter presença relevante no processo eleitoral e pode ajudar a ampliar o alcance da candidatura de Haddad em regiões estratégicas do estado. Ainda que não tenha detalhado como isso se dará na prática, o deputado disse ver Alckmin como um ativo importante na campanha.
Sobre a composição da chapa, Emídio indicou que a escolha do nome para vice ainda depende de conversas políticas e de uma definição mais ampla sobre alianças. Ele afirmou, no entanto, que o perfil buscado é o de alguém capaz de ampliar o diálogo com segmentos em que Haddad tem menor inserção inicial, como setores da indústria, dos serviços, do sistema financeiro e do agronegócio paulista.
Ao concentrar sua análise na corrida ao governo paulista, Emídio apresentou Haddad como o nome já escolhido pelo campo lulista para enfrentar Tarcísio e insistiu que a eleição permanece aberta. Em sua avaliação, a combinação entre recall eleitoral, desempenho inicial nas pesquisas e formação de alianças pode transformar a disputa em um dos principais centros de tensão política de 2026.