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Hélio Alcântara critica poder de Neymar na seleção e avanço das bets no futebol

Jornalista esportivo afirma que CBF usa símbolos públicos em benefício privado e vê influência de patrocinadores, empresários e grupos internos na seleção

Neymar após partida entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo (Foto: CAEAN COUTO)
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247 - O jornalista esportivo Hélio Alcântara fez duras críticas à Confederação Brasileira de Futebol, à influência de Neymar na seleção brasileira e ao avanço das casas de apostas no esporte. As declarações foram dadas em entrevista ao Boa Noite 247, em debate sobre futebol, política e os bastidores da Copa do Mundo.

Alcântara afirmou que a CBF funciona como uma entidade privada que se apropria de símbolos nacionais. “A CBF é uma entidade privada, mas que usa o patrimônio nosso, o patrimônio cultural brasileiro, do povo brasileiro. Usa o pavilhão, a bandeira, toca o hino do país nos jogos, mas o dinheiro todo vai para a CBF”, disse.

Ao comentar a convocação de Neymar, o jornalista classificou o jogador como um “caminhão de dinheiro” e afirmou que sua presença na seleção envolve mais do que critérios técnicos. Para ele, o atacante carrega consigo patrocinadores, influência comercial e um grupo político dentro do futebol brasileiro.

“O Neymar e o pai mandam na CBF, mandam na seleção brasileira”, afirmou Alcântara. Segundo ele, nas gestões anteriores, houve uma submissão excessiva ao jogador. “O pai do Neymar tinha acesso ao vestiário. Isso é uma maluquice. O vestiário é sagrado, só entra quem está trabalhando ali.”

O jornalista também criticou o comportamento extracampo do atleta. Para Alcântara, Neymar se tornou mais um produto comercial do que uma referência esportiva em atividade. “Ele não joga bola há alguns anos e não vai jogar agora”, declarou.

Outro ponto central da entrevista foi a presença das bets no futebol. Alcântara afirmou que o dinheiro das apostas “já invadiu” o esporte profissional e criticou jogadores, influenciadores e jornalistas que promovem esse mercado.

“O que eu acho mais grave são jornalistas ou ex-jornalistas que fazem propaganda, que botam a cara”, disse. Ele também criticou o discurso usado pelas empresas do setor. “Depois, no final, vem aquela coisa cínica: jogue com responsabilidade.”

Para Alcântara, a força econômica das casas de apostas ajuda a explicar a dificuldade de impor maior regulação ao setor. Ele citou a pressão exercida no Congresso durante a tentativa de regulamentação e afirmou que o lobby das bets conseguiu limitar a taxação sobre as empresas.

O jornalista também tratou da FIFA e da politização do futebol mundial. Na avaliação dele, a entidade máxima do futebol pensa prioritariamente em dinheiro e historicamente não se constrange diante de regimes autoritários ou violações de direitos humanos.

“A FIFA só pensa em grana. O negócio dela é grana”, afirmou. Ele lembrou o legado de João Havelange, que transformou a entidade em uma poderosa máquina comercial, e disse que o futebol profissional é, há décadas, um ambiente conservador.

Alcântara também comentou a dificuldade de jogadores se posicionarem politicamente. Para ele, muitos atletas vêm de famílias pobres e passam a sustentar uma rede ampla de parentes e dependentes. Nesse contexto, empresários recomendam silêncio para evitar perda de contratos e patrocínios.

“Uma das primeiras coisas que eles falam para o moleque e para o pai e a mãe do moleque é: não se metam em nenhuma questão, não se metam em polêmica, não deem opinião sobre política”, afirmou.

Apesar disso, ele citou exceções, como Pep Guardiola e Kylian Mbappé, que já se manifestaram publicamente sobre temas políticos e sociais. No Brasil, lembrou a experiência da Democracia Corinthiana, liderada por Sócrates, Casagrande e Wladimir, mas ressaltou que o movimento ficou restrito ao Corinthians e não deixou um legado estrutural no futebol nacional.

Ao falar sobre racismo, Alcântara destacou a importância de Vinícius Júnior. Segundo ele, embora o jogador não se manifeste sobre todos os temas políticos, sua atuação contra o racismo é fundamental. “Essa violência do racismo é muito importante. O Vini é muito importante”, afirmou.

O jornalista também defendeu uma renovação na seleção brasileira e citou jovens como Endrick, Estêvão, Rodrygo e outros nomes da nova geração. Para ele, a seleção precisa se afastar da lógica de grupos fechados e “parças” ligados a Neymar.

“O Endrick não é da turma, não faz patota”, disse Alcântara, ao comentar resistências internas à presença do jovem atacante. “Esses caras precisam sair dessa seleção. Precisa ter renovação da geração.”

A entrevista terminou com Alcântara avaliando que o futebol brasileiro vive uma crise que vai além do desempenho em campo. Para ele, os problemas passam pela estrutura privada da CBF, pela captura comercial da seleção, pela influência das apostas e pela ausência de maior consciência política entre dirigentes e atletas.

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