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“Jornalismo virou refém do poder econômico”, afirma Laurindo Lalo Leal

Professor critica concentração da mídia, aponta perda de qualidade na cobertura internacional e defende fortalecimento da comunicação pública no Brasil

Sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho criticou o primeiro mandato da presidente Dilma na área da comunicação, ao dizer que a petista deveria ter dado prosseguimento ao projeto de democratização da mídia; ele observa, no entanto, que o acirramento do embate eleitoral fez Dilma perceber a importância da medida; segundo ele, no processo eleitoral, ela mostrou disposição em discutir o que chama de “regulação econômica da mídia” (Foto: Leonardo Lucena)

247 - Em entrevista à TV 247, o professor aposentado da ECA-USP e sociólogo Laurindo Lalo Leal apontou os desafios do jornalismo e o impacto da concentração midiática na qualidade da informação. Lalo enfatizou que a influência do poder econômico tem sido danosa para o jornlismo.

"Vivemos um período difícil. Aos trancos e barrancos”, frisa o professor, que afirma que o problema não é apenas brasileiro, mas parte de uma lógica global que molda a produção e circulação de notícias. 

“Não é um fenômeno só brasileiro, mas um fenômeno global”, afirmou, ao destacar que o sistema internacional de comunicação é historicamente concentrado.

Para o professor, o jornalismo atual sofre com a influência direta de grandes corporações e interesses financeiros, o que compromete a pluralidade de visões. No Brasil, esse cenário é ainda mais grave. “Temos uma das maiores concentrações de mídia existentes no mundo”, afirmou, indicando que essa estrutura limita o debate público e reforça uma única narrativa dominante.

O impacto direto dessa concentração, segundo Lalo, é a deterioração do jornalismo. “É uma palperização do jornalismo, da qualidade jornalística”, reforça.

Ele criticou especialmente a cobertura de conflitos internacionais, apontando distorções e ausência de pluralidade. “Não se ouvia, não se via nada do que acontecia em Israel”, afirmou, ao comentar o que chamou de desequilíbrio na cobertura da guerra no Oriente Médio.

Para o professor, esse tipo de abordagem reforça narrativas alinhadas a interesses geopolíticos e econômicos, prejudicando o acesso da população a informações mais completas.


EBC

Lalo defende o fortalecimento da comunicação pública como alternativa à mídia comercial, mas apontou que a situação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é de instabilidade na gestão.

“É o quarto presidente da EBC em três anos, o que é um sintoma ruim”, salientou Lalo, destancando que a radiodifusão pública deve ser tratada como um serviço essencial à democracia.

O professor também apontou que um dos principais entraves da comunicação pública no Brasil é a falta de alcance.

“O que adianta você fazer o melhor jornal do mundo se você não chega em determinados lugares?”, questionou.

Lalo criticou ainda estratégias adotada da emissora pública que tenta replicar modelos da televisão comercial, com a contratação de apresentadores populares para aumentar audiência.

“É um erro primário”, afirmou. Para ele, o papel da TV pública é justamente oferecer uma alternativa de conteúdo: “o papel da comunicação pública é ser alternativa e não repetição”.

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