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“Associação com Lula é um crime e desculpas foram um vexame", diz professor Laurindo Lalo Leal sobre por PowerPoint da Globonews

Jornalista e professor aposentado da USP afirma que pedido de desculpas da emissora é insuficiente e classifica conteúdo como “criminoso”

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247 - O professor e sociólogo Laurindo Lalo Leal classificou como “um vexame para a Rede Globo” as desculpas pela exibição de um PowerPoint pela GloboNews que sugeria conexões entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas, incluindo o presidente Lula. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Brasil Agora, na qual o especialista em comunicação analisou o episódio e suas consequências.

A emissora reconheceu o que chamou de "erro" e divulgou um pedido de desculpas, lido no programa Estúdio i, apresentado por Andréa Sadi. No texto, a GloboNews admitiu que o material estava “errado e incompleto” e que não deixou claro o critério de seleção das informações. Ainda assim, para Lalo Leal, a retratação não foi suficiente para reparar os danos causados.

“Para uma empresa que se jacta [...] de qualidade, fazer um PowerPoint e depois dizer que foi um erro [...] é uma desculpinha [...] muito esfarrapada diante daquilo que ficou escancarado”, afirmou o professor. Em sua avaliação, o problema não foi apenas técnico, mas editorial e político.


“O estrago já foi feito”

Segundo Lalo Leal, o impacto da exibição do material se consolidou rapidamente e não pode ser revertido por um pedido de desculpas posterior. “Depois de você colocar no ar, por uma rede de televisão nacional, aquele absurdo daquele PowerPoint, não adianta”, disse. E completou: “não é uma simples mensagem de dois minutos [...] que vai colocar algum tipo de retorno”.

O professor comparou a situação a algo irreversível: “vale sempre aquela imagem do travesseiro de penas que se abre [...] e depois você não consegue de maneira alguma juntá-las outra vez no mesmo lugar”.

associação com lula é “crime”, diz professor

Um dos pontos mais criticados foi a inclusão do nome de Luiz Inácio Lula da Silva no diagrama exibido pela emissora. Para Lalo Leal, a associação foi indevida e sem आधार factual. “Colocar o presidente Lula como tendo algum tipo de relação promíscua com este ex-banqueiro é um crime. Porque não há dado de realidade que sustente essa informação”, declarou.

Ele explicou que o encontro citado no material ocorreu dentro da normalidade institucional. “Ele concedeu audiência no Palácio do Planalto [...] chamou outras autoridades [...] e disse ‘leve essas suas pretensões para os devidos caminhos legais’”, afirmou.

O professor também destacou que a forma como o PowerPoint foi apresentado pode induzir interpretações equivocadas. “Colocaram o Lula [...] quase junto com o Vorcaro, e tudo isso tem sentido”, disse, ao mencionar possíveis leituras semióticas da peça.

Além disso, apontou falhas graves na elaboração do material. “Ele é, na forma, ridículo [...] é precário”, afirmou, ao criticar o padrão visual e informativo apresentado por uma das maiores empresas de comunicação do país.

Lalo Leal também criticou a resposta institucional ao episódio. Para ele, o caso deveria gerar consequências legais. “Como é um crime, isso tem que ser denunciado para as autoridades”, defendeu, mencionando instrumentos como o direito de resposta.

Ele citou como referência o episódio envolvendo o ex-governador Leonel Brizola, que obteve na Justiça o direito de resposta lido no Jornal Nacional por Cid Moreira. “Por que não se faz a mesma coisa?”, questionou.


Mídia e democracia

A análise do professor também se estendeu ao papel da mídia no Brasil. Segundo ele, a concentração dos meios de comunicação compromete o pluralismo e afeta diretamente a qualidade da democracia.

“Não dá [...] para uma grande democracia [...] você ter uma mídia tão pequena, tão concentrada e com apenas uma linha política de atuação”, afirmou. Para Lalo Leal, a circulação limitada de diferentes visões prejudica a formação crítica da população.


Paralelo com a Lava Jato

Durante a entrevista, o sociólogo também comparou o episódio com práticas observadas na cobertura da Operação Lava Jato. Segundo ele, há uma repetição de estratégias que associam figuras públicas a suspeitas sem comprovação robusta.

“Não inventam em tom de comédia. Inventam maldosamente e, em alguns casos, criminosamente”, afirmou.


Crise de credibilidade

Ao final, Lalo Leal reforçou que o caso representa um abalo na credibilidade da emissora. “É um vexame para a Rede Globo”, reiterou, ao destacar a gravidade do episódio.

A repercussão do PowerPoint e do pedido de desculpas reacendeu discussões sobre responsabilidade editorial, regulação da mídia e os limites da atuação jornalística em um cenário de alta polarização política no país.

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