Gleisi cobra responsabilidade da imprensa no caso Master e cita Lava Jato
“Todo dia tinha uma manchete mentirosa, um PowerPoint apontando para o presidente Lula”, lembra a ministra, em meio a novas manipulações da mídia
247 - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), criticou a atuação de setores da imprensa na cobertura do escândalo envolvendo o Banco Master e alertou para o risco de repetição de práticas vistas durante a Operação Lava Jato. Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (23), a ministra afirmou que há distorções "deliberadas" na forma como o caso vem sendo apresentado ao público.
A declaração foi divulgada em publicação no Instagram da própria ministra e ocorre em meio à repercussão de um episódio envolvendo a GloboNews, que exibiu um material posteriormente reconhecido como incompleto e incorreto sobre o caso Master. A jornalista Andréia Sadi pediu desculpas ao público após a veiculação de um PowerPoint que associava, sem provas, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao escândalo.
No vídeo, Gleisi afirmou que a cobertura tem priorizado nomes que, segundo ela, não estão diretamente ligados às irregularidades investigadas. “Todo dia tem manchetes escandalosas, vazamentos ilegais e direcionados de investigações, procurando inverter as responsabilidades no escândalo do Banco Master”, declarou. A ministra listou uma série de personagens que, em sua avaliação, deveriam ser o foco das investigações e que estão ligados ao campo político de Jair Bolsonaro (PL).
Ela mencionou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, os governadores Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Cláudio Castro (Rio de Janeiro) e Tarcísio de Freitas (São Paulo), além do próprio Bolsonaro, apontando relações financeiras e políticas com pessoas envolvidas no caso. Segundo Gleisi, esses nomes não têm recebido a mesma atenção da cobertura jornalística recente.
A ministra criticou o que classificou como “manipulações deliberadas” para desviar o foco das investigações. “Mas não são estes os nomes que a gente vê com mais frequência na maior parte das manchetes dos jornais e nos comentários da TV nos últimos dias”, afirmou.
Gleisi defendeu que todos os atores institucionais, incluindo a mídia, atuem com responsabilidade. “É importante cobrar responsabilidade de todos os atores em momentos como esse, na polícia, no Judiciário, nas instituições e, inclusive, na mídia”, disse, ao alertar para a necessidade de compromisso com a verdade.
Ao relembrar a Operação Lava Jato, a ministra apontou paralelos com o atual cenário. “Todo dia tinha uma delação arranjada, um vazamento seletivo, uma manchete mentirosa, um PowerPoint apontando para o presidente Lula, tudo combinado para fazer escândalo sem base em fatos e sem prova nenhuma”, afirmou. Ela lembrou que o processo acabou sendo deslegitimado posteriormente. “No final, ficou provado que era tudo uma grande farsa, uma conspiração de politicagem e interesses eleitoreiros".
A ministra destacou ainda os impactos econômicos e políticos da operação. “Quatro milhões de pessoas perderam o emprego, a prisão de Lula tirou do povo o direito de elegê-lo em 2018, o descrédito das instituições foi tamanho que abriu caminho para a extrema-direita”, declarou.
No caso recente, a jornalista Andréia Sadi reconheceu falhas no material exibido pela GloboNews. “O material estava errado e incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”, afirmou. Ela explicou que houve mistura de contatos institucionais com relações pessoais e contratuais, além da ausência de nomes já tornados públicos nas investigações.
A apresentadora também destacou que figuras relevantes não foram incluídas na apresentação, como ministros do Supremo Tribunal Federal, ex-diretores do Banco Central e políticos sob investigação. “Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas”, disse.
Ao encerrar sua manifestação, Gleisi reforçou a necessidade de evitar a repetição de erros do passado. “Não precisamos assistir a esse filme novamente. Compromisso com a verdade é essencial para a democracia.”


