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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Obrigado, Globo, por abrir o verdadeiro jogo do jornalismo "profissional"

As desculpas da Globo não corrigem o erro: apenas confirmam a manipulação e escancaram o funcionamento real de seu jornalismo

Banco Master e o powerpoint apresentado pela Globo (Foto: Reprodução)

As desculpas sobre o "PowerPoint" de Andrea Sadi, exibido e comentado pelos jornalistas da GloboNews, não corrigem, a rigor, nada. As desculpas apresentadas alguns dias depois são hipócritas e só agravam o erro inicial. São uma segunda desinformação. Só vieram para dar a impressão de que existem padrões jornalísticos e éticos. A regra, na verdade, é a manipulação.

Com as falsas desculpas, a Globo não quer que se veja o fato maior que ela mesma, sem querer, deixou à mostra com o PowerPoint. Porque a mensagem original, exagerada e tosca como foi, carrega consigo uma verdade bruta: o índex dos alvos, o manual de redação que vale, não a peça de marketing para enganar o público.

O PowerPoint é o mais puro suco da Globo. Sem disfarces, filtros, artifícios de equilíbrio ou objetividade. O puro suco da Globo é a desinformação.

Só que essa máquina de mentiras muitas vezes é camuflada. O PowerPoint revelou o que ela produz antes de ser maquiada. Ele foi ao ar como nasceu, sem que a edição o limpasse e perfumasse. Ninguém estranhou ou teve coragem de vetá-lo enquanto ela produzia aquele excremento informativo, que é a verdadeira matéria básica que regula as edições. Quando ele foi ao público, gerou escândalo; os executivos da Globo perceberam que ele revelava demais das entranhas da máquina de mentiras. Para isso, se lembraram da existência de "padrões". Em nome deles, produziram as desculpas.

O PowerPoint caminhava originalmente segundo os verdadeiros padrões da mídia hegemônica: antes de tudo, a meta é criminalizar o presidente Lula, que tem o lugar de honra no PowerPoint, junto ao PT. Nele desponta, claro, o outro inimigo do momento, o ministro do STF Alexandre de Moraes, em linha com o que faz toda a mídia hegemônica.

Sadi não mencionou exatamente quais foram os erros da Globo, quais foram as pessoas e partidos falsamente acusados. O público fica sem ser informado sobre o que se salva daquele lixo informativo.

O PowerPoint que foi ao ar é precioso porque constitui uma prova evidente — evidente demais — de um processo editorial que tem prioridades; a maior delas é enviesar o processo das informações de forma a prejudicar aqueles que foram escolhidos como inimigos. Quem fez o PowerPoint merece elogios, pois cuidou de cumprir a linha editorial da Globo: censurar e distorcer notícias favoráveis a Lula, incluir Lula em todas as notícias que possam ser anguladas contra ele. É a prioridade maior.

Toda a equipe do grupo Globo (e da mídia "profissional") obedece a essa mesma diretiva, imposta à base de ameaças e medo generalizado. Estrelas do colunismo global como Merval Pereira, Malu Gaspar, Elio Gaspari e Lauro Jardim estão aí para dar o exemplo. Obrigado, Globo. Obrigado duplo pelas desculpas.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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