Laurindo Lalo sobre transmissão da Globo do desfile em homenagem a Lula: "edição politicamente direcionada”
Para o professor, a transmissão privilegiou imagens técnicas ou repetitivas em detrimento de elementos simbólicos do espetáculo.
247 - O sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal criticou a cobertura da TV Globo sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula, afirmando que a edição priorizou imagens técnicas ou repetitivas em detrimento de elementos simbólicos do espetáculo.
Em entrevista ao programa Bom Dia 247, o professor, a seleção de imagens da transmissão televisiva demonstrou uma escolha editorial que reduziu o espaço de momentos considerados mais relevantes do ponto de vista narrativo e simbólico do enredo. “Quem conhece televisão sabe que o diretor de TV é o grande editor”, advertiu.
Ele sustentou que a cobertura teria enfatizado excessivamente cenas técnicas, como a bateria, enquanto outras partes do desfile receberam pouca atenção. “Mostrou aquilo que era menos relevante, ficava minutos fechados numa ala de baterias, que era importante, mas o tempo dado a ela era insignificante em relação a alguns momentos em que havia um conteúdo muito rico”, disse.
Falta de destaque a elementos simbólicos
Lalo citou como exemplo a ausência de imagens mais próximas de alegorias e carros que, segundo ele, tinham maior significado dentro da narrativa da escola. “Houve um carro, quase no final, um dos últimos, se não o último carro alegórico, com muitas bandeiras, que eu não lembro bem o que aquele se referiu. Eu queria saber, eu queria ver que bandeiras eram aquelas, o que aquilo representava. Não houve uma cena um pouco mais aproximada”, destacou.
Para o sociólogo, essa escolha reforça a ideia de que houve direcionamento editorial na cobertura. “Ali houve uma edição. A cobertura da Globo foi uma edição politicamente direcionada”, declarou.
Ele também mencionou o curto tempo dedicado à representação de personagens centrais do enredo. “Houve um momento que eu queria ver mais os dois atores representando o Lula e a Dona Marisa. Sabe qual foi o tempo, se eu pudesse ter cronometrado? Não deu trinta segundos. A gente chama isso no jornalismo de lapada”.
Na avaliação de Lalo, a forma como as imagens foram selecionadas influencia diretamente a percepção do público sobre o espetáculo e seu significado. “Mostra o que é irrelevante para esconder o que é importante”, afirmou.

