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Mao, dos Garotos Podres: Trump ameaça o mundo, mas é um sinal de fraqueza

Vocalista analisa discurso de Trump e afirma que retórica agressiva revela perda de hegemonia global

Garotos Podres (Foto: Divulgação)

247 - As recentes ameaças de Donald Trump contra países da América Latina e outras regiões do mundo foram interpretadas por José Rodrigues Mao Jr., vocalista da banda Garotos Podres, como uma demonstração de fragilidade do imperialismo norte-americano. Para o músico e professor aposentado, o tom abertamente agressivo adotado por Trump indica que os Estados Unidos já não conseguem sustentar a hegemonia global construída no período posterior à Guerra Fria.

A avaliação foi apresentada por Mao em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, na qual ele concentrou sua análise no significado político do discurso de Trump. Segundo o músico, o atual presidente dos Estados Unidos abandonou qualquer tentativa de disfarçar os interesses econômicos por trás da política externa do país. “O que me impressionou no discurso do Donald Trump é que ele abandona totalmente aquele discurso que mascarava o imperialismo. Foi um discurso claramente imperialista”, afirmou.

Mao destacou que Trump foi explícito ao reconhecer os interesses estratégicos de Washington sobre recursos naturais. “Donald Trump claramente admitiu que o seu interesse era se apoderar do petróleo da Venezuela. Simples assim”, disse. Para o vocalista, esse posicionamento representa o fim da estratégia conhecida como soft power, baseada na promoção de valores culturais e políticos como forma de influência internacional.

Na avaliação do entrevistado, o atual presidente dos Estados Unidos passou a representar um imperialismo “nu e cru”, marcado pela violência e pela coerção direta. “Os Estados Unidos assumiram, a partir da administração do Donald Trump, o imperialismo nu e cru, o aspecto absolutamente violento, o aspecto de corsário, que é o imperialismo”, afirmou Mao, ao comentar o abandono de políticas diplomáticas tradicionais.

Ao analisar o alcance das ameaças, Mao observou que Trump não se limitou a um único país. “Ele ameaçou não apenas o povo venezuelano, ameaçou Colômbia, México, Dinamarca, através da Groenlândia, e Brasil. O mundo inteiro está sob ameaça”, declarou. Para o músico, esse comportamento evidencia um cenário internacional mais instável e perigoso.

Apesar do tom beligerante, Mao afirmou que a retórica agressiva deve ser lida como sinal de enfraquecimento. “Trump fez uma demonstração de força e, na minha opinião, muitas vezes toda demonstração de força pode ser encarada como um sinal de fraqueza”, disse. Segundo ele, potências consolidadas não precisam recorrer constantemente à intimidação para manter sua influência.

O vocalista relacionou essa postura à perda gradual da hegemonia dos Estados Unidos. “O que a elite, a burguesia estadunidense, está percebendo é que os Estados Unidos estão perdendo a hegemonia completa que tinham do mundo”, afirmou. Mao citou o crescimento econômico de países como China, Rússia, Irã e Índia como fatores centrais desse processo.

Na leitura apresentada, as sanções econômicas impostas por Washington têm produzido efeitos contrários aos desejados. “Os embargos econômicos têm tido um efeito contrário, porque estão demonstrando que os países podem viver sem os Estados Unidos”, disse. Para Mao, essa constatação ajuda a explicar o aumento da agressividade do discurso do atual presidente dos Estados Unidos.

Ao concluir sua análise, o músico destacou que a sobrevivência de países submetidos a pressões externas já representa, por si só, uma derrota para o imperialismo. “Para esses países vencerem esse embate, não precisam vencer os Estados Unidos, basta sobreviver”, afirmou, ao reforçar a ideia de que a retórica ameaçadora de Trump reflete mais insegurança do que força real.

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