HOME > Entrevistas

Maria do Rosário reage a Dark Horse e diz que acionará a Justiça se for ridicularizada

Deputada afirma que recorrerá à Justiça caso filme ligado ao bolsonarismo deturpe episódio de violência sofrido no Congresso

Maria do Rosario (Foto: Kayo Magalhaes / Ag. Câmara)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - Em entrevista ao programa Boa Noite 247, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) reagiu à possibilidade de o filme Dark Horse, associado à família Bolsonaro, retratar de forma distorcida o episódio em que foi atacada verbalmente por Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

A parlamentar afirmou que não pretende recorrer à censura prévia, mas avisou que tomará medidas judiciais caso a produção utilize sua imagem de forma ofensiva ou desrespeitosa. “Não permitirei que qualquer situação jocosa que seja vinculada à minha pessoa ou que de alguma forma identifique essa situação passe sem providência judicial”, declarou.

Durante a entrevista, Maria do Rosário relembrou o episódio em que Bolsonaro afirmou que ela “não merecia ser estuprada”, caso que resultou em condenação cível do ex-presidente por danos morais. A deputada contou que destinou o valor da indenização a movimentos de mulheres e disse que transformou a violência sofrida em luta política coletiva. “Aquela ofensa não era só comigo, era com todas”, afirmou.

A petista também criticou o que classificou como tentativa da extrema direita de reescrever fatos recentes da política brasileira. Segundo ela, o roteiro de Dark Horse apresentaria uma versão fantasiosa do episódio, invertendo o papel de agressor e vítima. Para Maria do Rosário, isso faz parte de uma estratégia recorrente do bolsonarismo de manipular narrativas e naturalizar violências políticas e de gênero.

A entrevista ocorreu no contexto do lançamento de novas medidas do governo Lula para o enfrentamento da violência contra as mulheres, inclusive no ambiente digital. Maria do Rosário elogiou os decretos assinados pelo presidente e afirmou que Lula foi o primeiro chefe de Estado brasileiro a tratar o tema “com densidade” e prioridade institucional. Entre as ações destacadas por ela estão a reformulação do Ligue 180, a ampliação das medidas protetivas e o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores.

A deputada defendeu ainda que o combate ao feminicídio exige não apenas políticas públicas, mas também uma transformação cultural profunda. “Sem trabalhar a dimensão cultural, nós não vamos superar o feminicídio”, disse. Segundo ela, o avanço da extrema direita fortaleceu discursos misóginos e atacou debates sobre gênero e educação nas escolas.

Maria do Rosário também comentou as denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse. Ela afirmou enxergar uma estrutura política e financeira articulada em torno do bolsonarismo. “Os Bolsonaros são a parte mais apodrecida do sistema político do Brasil”, declarou.

Na parte final da entrevista, a deputada comentou o cenário político do Rio Grande do Sul e defendeu a aliança entre PT e PDT nas eleições estaduais. Para ela, a disputa no estado representa um confronto direto entre o campo democrático e o bolsonarismo.

Artigos Relacionados