Ancine investiga filme sobre Jair Bolsonaro e produção pode receber multa de até R$ 100 mil
Agência apura ausência de registro das filmagens de "Dark Horse", produção sobre o ex-mandatário financiada por Daniel Vorcaro
247 - A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu investigação sobre o filme "Dark Horse", produção que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, articulados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A apuração envolve a ausência de comunicação prévia das gravações à agência reguladora. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
A produção é falada em inglês e reúne elenco, direção e roteiro de profissionais estadunidenses. O longa é produzido pela Go Up Entertainment, empresa sediada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e registrada como agente econômico na Ancine desde julho de 2025, com endereço em São Paulo.
A legislação da Ancine prevê multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil para produções cinematográficas estrangeiras realizadas no Brasil sem comunicação prévia à agência. A exigência vale para gravações de obras estrangeiras feitas em território nacional.
Segundo a Ancine, até o momento a Go Up Entertainment não apresentou pedido de registro das filmagens nem solicitação de lançamento comercial do filme no Brasil.
Investigação da Ancine
A agência informou que a investigação busca definir se "Dark Horse" deve ser enquadrado como obra brasileira ou estrangeira. Outro ponto analisado é o papel desempenhado pela Go Up Entertainment na produção.
A Ancine apura se a empresa atua como responsável direta pelo filme ou se presta serviços a uma produtora estrangeira. Segundo a agência, essa definição interfere nas obrigações legais aplicáveis ao projeto.
Denúncias de trabalhadores
Em paralelo à investigação administrativa, trabalhadores do setor audiovisual que participaram das gravações afirmaram ter enfrentado episódios de assédio moral, agressões físicas e condições precárias durante as filmagens realizadas no ano passado.
As denúncias integram um dossiê elaborado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP). Segundo a entidade, os profissionais envolvidos decidiram não ingressar na Justiça por receio de represálias e prejuízos à carreira.



