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Minc: “Cláudio Castro deu bilhões a caloteiros”

Ex-ministro afirma que governo do Rio manteve incentivos fiscais à Refit apesar de dívidas bilionárias e denúncias ambientais

Minc: “Cláudio Castro deu bilhões a caloteiros” (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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247 - O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc afirmou que o esquema envolvendo benefícios fiscais concedidos pelo governo do Rio de Janeiro à Refit expõe uma estrutura de favorecimento político e financeiro que, segundo ele, prejudicou diretamente os cofres públicos do estado. Em entrevista ao Bom Dia 247, Minc relacionou a operação da Polícia Federal contra aliados do ex-governador Cláudio Castro à manutenção de incentivos fiscais para empresas inadimplentes e acusadas de irregularidades ambientais.

Segundo Minc, a investigação já era esperada devido ao histórico de relações do grupo político de Cláudio Castro com empresários beneficiados por decisões do governo estadual. “A dúvida não era se isso aconteceria, mas quando aconteceria. O Cláudio Castro consegue fazer as parcerias mais tóxicas possíveis”, declarou.

O ex-ministro citou diretamente a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, controlada pelo empresário Ricardo Magro, alvo de medidas judiciais e incluído em mecanismos de cooperação internacional para localização de foragidos. Minc afirmou que a empresa acumulou dívidas bilionárias com o estado e, ainda assim, continuou recebendo incentivos fiscais.

“São empresas caloteiras, inadimplentes, que continuam recebendo benefícios enquanto o estado deixa de arrecadar dinheiro para saúde, educação e funcionalismo”, afirmou. Ele lembrou que participou da aprovação de uma lei de transparência que obriga a Secretaria de Fazenda a divulgar mensalmente a lista dos maiores devedores do Rio de Janeiro. Segundo ele, a medida permitiu identificar que a Refit permanecia entre os principais devedores ao mesmo tempo em que mantinha vantagens fiscais concedidas pelo governo.

Minc afirmou que a manutenção desses incentivos ocorreu mesmo após alertas técnicos e cobranças internas. Ele lembrou que, em 2023, o então procurador-geral do Estado Bruno Teixeira Ribeiro cobrou judicialmente dívidas da Refit e acabou demitido posteriormente. “Quem cobrava foi afastado, enquanto os benefícios continuaram”, disse.

Além da questão fiscal, o ex-ministro também relacionou a atuação da refinaria a problemas ambientais históricos. Segundo ele, ainda no período em que ocupava cargos na área ambiental, foram identificadas contaminações provocadas pela utilização de chumbo tetraetila na gasolina produzida pela antiga Refinaria de Manguinhos.

“Nós detectamos contaminação de trabalhadores e até de moradores da região. Crianças expostas ao chumbo podem perder parte significativa da capacidade cognitiva”, afirmou. Minc disse que foi necessária uma lei específica para proibir o uso da substância e retirar o chumbo da gasolina.

Ele também acusou a refinaria de lançar resíduos oleosos na Baía de Guanabara sem tratamento adequado. Apesar disso, segundo Minc, o governo Cláudio Castro autorizou em 2023 a ampliação de tanques da empresa. “Mesmo sem resolver passivos ambientais, a licença foi concedida”, afirmou.

Para o ex-ministro, o caso revela uma combinação entre benefícios fiscais, proteção política e ausência de fiscalização efetiva. “O pior é que essas roubadas são feitas com dinheiro público. Quem paga é a população do Rio de Janeiro”, declarou.

Minc também sugeriu que a operação da Polícia Federal pode aprofundar o desgaste político da direita fluminense, especialmente de setores ligados ao bolsonarismo. “Cada vez mais eles precisam apagar as pegadas do passado. A rede vai fechando”, disse.

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