HOME > Brasil

Cláudio Castro gerou ‘ambiente favorável’ para os crimes da Refit, diz PF

Investigação aponta articulações na Secretaria de Fazenda do Rio para beneficiar grupo empresarial ligado a Ricardo Magro

Claudio Castro e Ricardo Magro (Imagem gerada por IA) (Foto: Gerado por IA)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A Polícia Federal investiga suspeitas de que o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL) teria criado um ambiente favorável para a continuidade de práticas de blindagem fiscal em benefício da Refit, empresa ligada ao empresário Ricardo Magro, apontado como o maior devedor de impostos do país. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (15) pelo G1, em reportagem do jornalista Octavio Guedes.

De acordo com a apuração, a investigação mira decisões tomadas durante a gestão de Castro que teriam favorecido diretamente o grupo empresarial. Entre elas está a edição da Lei Complementar nº 225/2025, que instituiu um regime especial de parcelamento de débitos tributários. Segundo a PF, a medida beneficiou empresas classificadas como devedoras contumazes e altamente endividadas, com destaque para a Refit.

Os investigadores também apuram a suspeita de interferência de Ricardo Magro em cargos estratégicos da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro. Conforme a investigação, servidores considerados mais rigorosos teriam sido substituídos por nomes alinhados aos interesses da Refit, o que teria favorecido o maior devedor de impostos do estado.

Entre os alvos da operação realizada nesta sexta-feira estão o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o subsecretário de Receita Adilson Zegur. Ambos aparecem, segundo a Polícia Federal, em diálogos obtidos durante a investigação, nos quais teriam articulado ações com um auditor fiscal e um intermediário para beneficiar a Refit.

A investigação também alcança a atuação da Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ), então comandada por Renan Miguel Saad. Segundo a PF, o órgão teria atuado judicialmente para tentar viabilizar a retomada das atividades da refinaria após interdições administrativas.

A defesa de Claudio Castro afirmou ter sido “surpreendida” pela operação da Polícia Federal, que realizou buscas na residência do ex-governador, localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em nota divulgada nesta sexta-feira, os advogados disseram que ainda não tiveram acesso ao conteúdo do pedido de busca e apreensão.

A defesa declarou ainda que Castro está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações” e que o ex-governador está “convicto de sua lisura”. Segundo os advogados, todos os procedimentos adotados durante a gestão seguiram “critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente”, incluindo ações relacionadas à política de incentivos fiscais do estado.

Os representantes do ex-governador também afirmaram que a administração de Castro foi “a única” a conseguir que a Refit realizasse pagamentos de dívidas com o estado. De acordo com a nota, foram garantidos pagamentos parcelados que somam cerca de R$ 1 bilhão.

Artigos Relacionados