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“O sistema se moveu para apoiar novamente o anti-Lula”, diz Genoino

Ex-deputado avalia avanço de forças políticas e defende estratégia de enfrentamento para disputa eleitoral de 2026

José Genoino (Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados)

247 - A avaliação do ex-presidente do PT e ex-deputado constituinte José Genoino aponta para uma reorganização das forças políticas no país com impacto direto no cenário eleitoral. Ao comentar pesquisas recentes que indicam redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno, Genoino afirmou que há um movimento estruturado para impulsionar o sentimento anti-Lula.

Segundo ele, esse movimento envolve diferentes setores de poder e exige uma resposta política mais assertiva por parte do campo progressista. “Estou atento. Em primeiro lugar porque o sistema neoliberal, o sistema financeiro, o sistema midiático se moveu para desgastar o Lula, para incentivar o antiLula”, declarou.

As declarações foram dadas em entrevista ao Bom Dia 247, onde Genoino analisou o ambiente político atual e as estratégias necessárias para a disputa eleitoral de 2026.

Sistema atua para desgastar Lula

Para Genoino, o avanço de candidaturas associadas ao bolsonarismo não pode ser analisado de forma isolada, mas sim como parte de uma dinâmica mais ampla de reorganização das forças dominantes. Ele avalia que o objetivo não é apenas derrotar Lula eleitoralmente, mas também colocá-lo em posição defensiva no debate público.

“O sistema quer enfraquecer o Lula, quer derrotá-lo, ou vai, ou vai de Flávio ou vamos dizer assim, faz uma botar o Lula na defensiva”, afirmou.

Nesse contexto, ele considera que a crise internacional e os problemas internos do país intensificam a disputa política, tornando inevitável uma postura mais combativa. “A crise coloca o enfrentamento como uma necessidade. Não é só uma escolha, é como uma necessidade”, disse

Enfrentamento político como estratégia

Genoino defende que a campanha de 2026 tenha características diferentes das disputas recentes, com maior ênfase no confronto político. Ele cita como referência as eleições de 1989 e 2006.

“Essa campanha de 2026 tem que se parecer mais com a de 2006 e a de 89. Essas duas campanhas são referências pra gente fazer uma campanha. Não é paz e amor como a de 2002, não é a conciliação como a de 2022. É uma campanha de enfrentamento”, afirmou.

Para ele, o debate eleitoral deve se concentrar em temas estruturais e na disputa de projeto de país, com clareza de posições e objetivos. A estratégia inclui também a divisão de tarefas entre o governo e o partido.

PT deve assumir papel mais ativo

O ex-deputado sustenta que o Partido dos Trabalhadores precisa assumir maior protagonismo no confronto político, permitindo ao presidente Lula atuar com mais liberdade institucional.

“Esse enfrentamento, alguns desses enfrentamentos tem que ser feito pelo PT, não pelo Lula. O PT tá muito na defensiva, tem que ir para as cabeças”, afirmou.

Ele também destacou que a disputa de 2026 será marcada pela definição de rumos para o país. “Essa eleição é a discussão do futuro”, disse, ao defender a construção de um programa baseado em soberania nacional, reformas democráticas e melhoria das condições de vida da população.

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