“Se continuar assim, haverá ingovernabilidade”, diz Antônio Augusto de Queiroz sobre cenário político
Analista critica atuação do Senado, aponta interferência política em indicação ao STF e alerta para risco ao equilíbrio entre os poderes
247 - A recente derrota do governo Lula no Congresso Nacional acendeu um alerta sobre os rumos da política brasileira. Em entrevista ao Brasil Agora, da TV 247, o analista político Antônio Augusto de Queiroz afirmou que o país pode enfrentar um cenário de paralisação institucional caso o atual padrão de atuação do Legislativo se mantenha.
“Se houver uma maioria com esse tipo de mentalidade de conflito entre os poderes, se instalará definitivamente no Brasil a ingovernabilidade”, avalia.
A declaração ocorre após a derrubada de vetos presidenciais e, principalmente, a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Queiroz, a rejeição de Messias foi inesperada, especialmente diante de sua performance no Senado. O analista destacou que o indicado reúne os requisitos técnicos para o cargo.
“É indiscutível o notório saber jurídico dele, a experiência que tem como operador do direito”, frisou.
Para ele, o processo foi comprometido por interferências políticas, com atuação direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Na minha opinião, deve ter uma nova votação porque essa foi profundamente viciada pelo presidente da Casa”, enfatizou.
“Abre um precedente muito perigoso, porque o equilíbrio dos poderes passa por essas questões constitucionais”, alertou.
Queiroz defende que a decisão seja revista, citando precedentes que permitiram nova votação em casos semelhantes de indicação em outras cortes.
O analista também chamou atenção para o aumento do poder das lideranças do Congresso, impulsionado pelo controle de recursos orçamentários.
“Eles concentraram um poder de tal modo absurdo que querem interferir em absolutamente todas as deliberações do parlamento”, aponta.
Segundo ele, esse cenário distorce o funcionamento institucional e dificulta a governabilidade. Na avaliação de Queiroz, houve convergência entre setores do Congresso e o bolsonarismo nas decisões recentes.
“O Alcolumbre se comportou como um aliado do bolsonarismo”, analisa Queiroz, cittando a atuação do senador Flávio Bolsonaro e afirmou que interesses da oposição influenciaram o resultado das votações.
Articulação do governo
O analista também fez ressalvas à condução política do governo dentro do Congresso. “O governo precisa [...] fortalecer as suas lideranças, estabelecer uma clareza de orientação”, disse. E acrescenta: “Não é possível que o governo não tome uma atitude”.
Queiroz prevê que o cenário político seguirá marcado pela polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
“Está claramente um momento de polarização [...] os dois que vão polarizar certamente estarão no segundo turno”, salientou, afirmando que o eleitorado moderado será decisivo nas eleições.
Para o analista, o governo ainda não iniciou plenamente sua estratégia eleitoral, mas deve apostar na comparação com adversários.
“A campanha vai ser a oportunidade de mostrar que há uma diferença clara entre o governo e os seus opositores”, concluiu.


