Arsenal supera Corinthians e conquista a Copa dos Campeões feminina
Equipe inglesa confirma superioridade estrutural, mas sofre com reação das brasileiras em final decidida na prorrogação
247 - O Arsenal confirmou o favoritismo e venceu o Corinthians por 3 a 2 na final da Copa dos Campeões feminina da Fifa, disputada neste domingo (1º), em Londres. A decisão colocou frente a frente duas referências do futebol feminino de seus continentes e foi marcada pela forte reação do time brasileiro, que buscou o empate nos acréscimos do tempo regulamentar e levou o jogo para a prorrogação.
As jogadoras do Corinthians, conhecidas como Brabas, chegaram à final de forma surpreendente após uma campanha consistente e enfrentaram pressão intensa durante toda a partida. Mesmo dominado territorialmente, o time brasileiro mostrou capacidade de resposta e competitividade diante de uma das maiores potências da modalidade.
O clube inglês abriu o placar aos 14 minutos do primeiro tempo e manteve maior posse de bola, limitando os espaços do adversário. A reação corintiana foi rápida. Aos 20 minutos, Gabi Zanotti aproveitou um lance confuso após cobrança de escanteio e marcou de cabeça, empatando a decisão.
Na segunda etapa, o Arsenal voltou a ficar em vantagem aos 12 minutos, em um momento em que o Corinthians já apresentava sinais de desgaste físico. O resultado parecia encaminhado até os minutos finais, quando Vic Albuquerque converteu um pênalti nos acréscimos, fez 2 a 2 e levou a final para a prorrogação, provocando forte comemoração da torcida brasileira presente no estádio.
O equilíbrio, porém, durou pouco no tempo extra. Aos 13 minutos da prorrogação, o Arsenal marcou o gol que definiu o título. Olivia Smith, Wubben-Moy e Foord anotaram para a equipe inglesa, enquanto Gabi Zanotti e Vic Albuquerque fizeram os gols do Corinthians.
A Copa dos Campeões feminina é a primeira competição mundial da modalidade e segue o formato da Copa Intercontinental masculina, reunindo os campeões de cada continente. Os prognósticos indicavam uma final entre representantes das ligas europeia e norte-americana, consideradas as mais fortes do mundo, mas o Corinthians contrariou as projeções ao eliminar o Gotham FC, dos Estados Unidos, na semifinal.
A decisão em Londres também evidenciou as disparidades estruturais do futebol feminino global. Um relatório da consultoria Deloitte aponta que 14 dos 15 clubes femininos com maior faturamento do mundo são europeus. Na temporada 2024/25, essas equipes somaram uma receita total de € 158 milhões, crescimento de 35% em relação ao ciclo anterior.
O Arsenal lidera o ranking, com faturamento de € 25,6 milhões na última temporada e crescimento anual de 43%. Desse total, € 7 milhões vieram da bilheteria, € 2,4 milhões de direitos de transmissão e € 16,2 milhões de acordos comerciais, incluindo patrocínios e parcerias. O clube também conquistou recentemente a Liga dos Campeões feminina e teve três atletas — Mariona Caldentey, Alessia Russo e Leah Williamson — incluídas na seleção da Fifa no prêmio The Best de 2025.
Esses números contrastam com a realidade do futebol feminino no Brasil e na América do Sul, onde não há dados sistematizados sobre as receitas dos clubes. O Corinthians projetou arrecadar R$ 10,4 milhões com patrocínios da modalidade na temporada 2024, enquanto o título da Libertadores feminina no mesmo ano rendeu cerca de R$ 11 milhões.
As diferenças também se refletem nos investimentos institucionais. Enquanto a Conmebol é alvo de críticas pelos aportes considerados modestos e pela baixa visibilidade da modalidade, a Uefa anunciou, em 2024, um plano de investimento de € 2,4 bilhões no futebol feminino europeu até 2030, com foco em categorias de base, expansão das ligas profissionais, aumento do número de atletas e ampliação do público.
O calendário reforça essa desigualdade. A Liga dos Campeões feminina é disputada ao longo de todo o ano, com 18 equipes, enquanto a Copa Europa reúne mais de 40 clubes. Já a Libertadores feminina conta com 16 participantes e concentra seus jogos em cerca de duas semanas.
Apesar desse cenário, o Corinthians é uma exceção no contexto sul-americano. A equipe passou por um processo de reorganização a partir de 2016, com profissionalização da estrutura, orçamento estável e investimentos nas categorias de base e na manutenção do elenco. Sob o comando de Arthur Elias, hoje técnico da seleção brasileira feminina, o clube construiu uma trajetória vitoriosa e consolidou sua hegemonia nacional e continental.
Desde então, o Corinthians conquistou sete títulos do Campeonato Brasileiro, três da Supercopa do Brasil e seis da Copa Libertadores feminina, consolidando-se como a principal força da modalidade no país.

