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Brasileirão começa com queda no número de clubes patrocinados por bets

Apenas 12 times da Série A exibem casas de apostas como patrocinador master em 2026

Estádio do Maracanã durante jogo do Flamengo (Foto: Paula Reis/Flamengo)

247 - O Campeonato Brasileiro da Série A tem início na quarta-feira (28) com uma mudança significativa no cenário de patrocínios dos clubes. Nesta temporada, 12 equipes entram em campo com marcas de casas de apostas estampadas como patrocinador master em seus uniformes, um número inferior ao registrado no ano anterior, quando 18 clubes mantinham esse tipo de acordo.

Levantamento publicado pela IstoÉ Dinheiro mostra que a redução representa uma queda de cerca de um terço em relação a 2025. O movimento ocorre após um período de forte expansão das bets no futebol brasileiro, que elevou de forma expressiva os valores pagos aos clubes e alterou o mercado de patrocínios esportivos.

Entre os times que não contam mais com patrocinador master do setor de apostas estão Vasco, Grêmio, Internacional, Coritiba, Bahia e Santos, todos com contratos encerrados e ainda sem novos acordos firmados. A lista de clubes sem bets na parte principal da camisa inclui ainda o Red Bull Bragantino, que exibe a marca do próprio grupo proprietário, e o Mirassol, patrocinado por uma empresa do setor de refrigerantes.

Apesar da retração no número de contratos, as cifras envolvidas seguem elevadas em alguns casos. O maior patrocínio do campeonato continua sendo o do Flamengo com a Betano, estimado em R$ 268,5 milhões por ano, com vínculo até 2028. Outros acordos de grande porte envolvem Palmeiras e SportingBet, São Paulo e Superbet, além de Corinthians e Esportes da Sorte, todos com contratos de longo prazo.

Especialistas apontam que o movimento não indica uma ruptura do modelo, mas uma transição após a fase inicial de expansão acelerada. O professor de marketing esportivo da ESPM, Ivan Martinho, avalia que o setor passa por um ajuste natural após o período de crescimento intenso. “No primeiro momento, as casas de aposta entraram de forma muito agressiva, buscando escala, visibilidade rápida e ocupação de território. Isso inflacionou o mercado. Agora, com um ambiente regulatório mais claro, mais impostos e maior pressão por eficiência, a lógica mudou: menos volume, mais critério nos investimentos. Mas eu evitaria o termo bolha”, afirmou.

Segundo o especialista, o cenário atual aponta para um processo de amadurecimento. “Não estamos vendo o fim das bets no futebol, apenas o fim de uma fase de euforia. O mercado está amadurecendo e isso tende a ser positivo para clubes, marcas e para a sustentabilidade do sistema como um todo no longo prazo”, completou.

A temporada de 2026 começa, portanto, com um mercado mais seletivo e contratos mais concentrados, indicando uma nova dinâmica entre clubes e patrocinadores no principal campeonato do futebol brasileiro.

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