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Cresce o movimento internacional por boicote à Copa do Mundo nos EUA

Críticas à política migratória e à atuação externa do governo do presidente dos Estados Unidos impulsionam apelos contra o torneio

Cresce o movimento internacional por boicote à Copa do Mundo nos EUA (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - À medida que o governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, se prepara para sediar parte da Copa do Mundo deste ano, ao lado de Canadá e México, vozes influentes do futebol internacional, parlamentares europeus e torcedores passaram a defender um boicote ao torneio. O debate ganhou força diante do endurecimento das políticas migratórias, das restrições de viagem e da postura externa adotada por Washington, que, segundo críticos, criam um ambiente hostil para atletas e fãs estrangeiros, informa a revista Time.

A expressão mais direta veio do advogado suíço Mark Pieth, que presidiu o Comitê Independente de Governança responsável por supervisionar reformas na FIFA entre 2011 e 2013. Em entrevista recente ao jornal suíço Der Bund, ele resumiu o sentimento de parte da comunidade esportiva internacional ao afirmar: “Fiquem longe dos Estados Unidos!”. Desde então, o apelo por um boicote à maior competição do futebol mundial passou a circular com mais intensidade entre dirigentes, políticos e torcedores.

Os Estados Unidos receberão jogos do Mundial entre 11 de junho e 19 de julho, com a final marcada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey. Na segunda-feira (26), o ex-presidente da FIFA Sepp Blatter repercutiu as declarações de Pieth em uma postagem na rede X, afirmando: “Acho que Mark Pieth está certo em questionar esta Copa do Mundo”. Blatter foi suspenso pela FIFA em 2015 após um pagamento controverso de US$ 2 milhões a Michel Platini, então presidente da UEFA, mas ambos acabaram absolvidos pela Justiça suíça.

As críticas ao governo Trump incluem a repressão violenta à imigração, apontada por opositores como responsável pela morte de dois cidadãos americanos em Minneapolis, além da política externa expansionista em relação à Groenlândia e à Venezuela, a imposição de barreiras de viagem e tarifas comerciais amplas. Para Pieth, o cenário interno também pesa contra a realização do evento. “O que estamos vendo internamente — a marginalização de opositores políticos, abusos por parte dos serviços de imigração — não incentiva exatamente os torcedores a irem para lá”, disse. Ele acrescentou: “Vocês vão ver melhor pela TV de qualquer maneira. E, ao chegar, os fãs devem esperar que, se não agradarem às autoridades, serão colocados diretamente no próximo voo de volta. Se tiverem sorte”.

A relação entre a FIFA e Trump

A proximidade entre a FIFA e o presidente dos Estados Unidos também alimenta controvérsias. Donald Trump costuma demonstrar interesse pelo futebol, relação que se intensificou com gestos de aproximação do atual presidente da FIFA, Gianni Infantino. Michel Platini declarou recentemente que Infantino “se tornou mais um autocrata” e que “gosta dos ricos e poderosos”.

Em julho do ano passado, Trump foi vaiado ao permanecer no centro do palco enquanto o Chelsea erguia o troféu do Mundial de Clubes da FIFA em Nova Jersey. Meses antes, Infantino havia presenteado Trump com o mesmo troféu e, em dezembro, concedeu a ele um recém-criado Prêmio da Paz da FIFA, após o presidente dos Estados Unidos não ter sido agraciado com o Nobel. “Este é o seu prêmio, este é o seu prêmio da paz”, afirmou Infantino na ocasião. “Há também uma linda medalha para você, que pode usar onde quiser”.

Infantino também anunciou, em julho, a abertura de um escritório da FIFA na Trump Tower, em Nova York. Desde 2018, uma réplica do troféu da Copa do Mundo pode ser vista no Salão Oval da Casa Branca, ano em que a FIFA confirmou os Estados Unidos como um dos anfitriões do Mundial de 2026.

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