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Ganhador do 1º ouro do Brasil em Olimpíada de Inverno, Lucas Pinheiro superou lesão e drama na carreira

Conquista da medalha coroa anos de recuperação física e recomeço sob nova bandeira

Lucas Braathen conquista medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno REUTERS/Gintare Karpaviciute

247 - O esquiador Lucas Pinheiro Braathen conquistou neste sábado (14) a primeira medalha de ouro do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno, coroando uma trajetória marcada por obstáculos físicos e decisões decisivas na carreira. A conquista ocorreu nos Jogos de Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026, após o atleta fechar as duas descidas do slalom gigante com tempo total de 2m25s. Na segunda descida, registrou 1m11s08, desempenho que garantiu o título olímpico. As informações são da CNN Brasil.

A medalha é resultado de um percurso de reconstrução esportiva iniciado anos antes. Em 2020, Lucas sofreu ruptura de ligamentos no joelho e ficou afastado das competições por oito meses, período considerado o mais difícil da carreira. Após a recuperação, voltou ao circuito internacional e consolidou o retorno na temporada 2022-23, quando conquistou o título de campeão de slalom defendendo a Noruega.

Aposentadoria precoce e retorno pelo Brasil

Mesmo em alta competição, o atleta anunciou aposentadoria em 2023 após divergências com a federação norueguesa relacionadas à autonomia profissional e aos direitos de imagem. Meses depois, voltou às competições representando o Brasil, decisão que marcou uma mudança de rumo. Segundo o atleta, o retorno também tinha dimensão simbólica. "Eu queria falar uma coisa que tem uma importância maior do que só resultados. Trazer 200 milhões de pessoas para o esporte de inverno é importante. Eu quero ser uma inspiração. Não importa de onde você é. Não existem limitações, só oportunidades."

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, nasceu em Oslo e começou no esqui alpino aos nove anos, quando foi apresentado ao esporte pelo pai. Aos 18, já acumulava medalhas no Mundial Júnior. O atleta afirma que a formação cultural mista influenciou diretamente na forma de competir. "A mentalidade brasileira me ajudou a pensar fora da caixa. A achar jeitos novos de treinar, de esquiar. Esse jeito diferente sempre me ajudou nas competições."

Fora das pistas, mantém rituais ligados ao Brasil. "A primeira coisa que eu faço quando entro no Brasil é comer pão de queijo e tomar guaraná. Sempre." Também destacou o impacto pessoal da conquista. "Eu vou estar no jornal no Brasil, e meus avôs vão ver o nome do neto deles. Isso é muito especial." A medalha de ouro representa o ponto mais alto de uma trajetória que combinou recuperação física, mudança de país e retorno ao alto rendimento.

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