Lucas Pinheiro se emociona após ouro em Milão: “nada é impossível”
Brasileiro conquista medalha inédita no slalom gigante em Milão-Cortina e diz que vitória pode inspirar nova geração
247 - Lucas Pinheiro Braathen entrou para a história do esporte brasileiro ao conquistar a primeira medalha do país em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. O ouro no slalom gigante do esqui alpino foi garantido na terça-feira (10), em Milão-Cortina, após duas descidas decisivas que o colocaram à frente dos principais favoritos da prova.
Em entrevista ao SporTV, o esquiador não conteve a emoção ao comentar o resultado que marcou sua trajetória sob a bandeira brasileira, adotada oficialmente em meados de 2024.
“Inexplicável. É totalmente inexplicável. Não tenho como botar palavras para as minhas sensações agora”, afirmou, logo após a confirmação do título.
Filho de mãe brasileira e nascido na Suíça, Braathen destacou que o feito pode ultrapassar o resultado esportivo. “Com todo mundo assistindo aí no Brasil, me acompanhando, torcendo por mim, provavelmente isso pode ser um ponto de inspiração para crianças da próxima geração, de que nada é impossível. Não importa onde você está, suas roupas, a cor da sua pele, O que importa é o que existe aqui dentro [apontando para o coração]. E eu esquio com meu coração”, declarou, emocionado.
Duelo com favorito olímpico
A disputa pelo ouro foi intensa. O brasileiro superou o suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em Pequim-2022 e apontado como um dos favoritos em Milão-Cortina. O rival terminou com a medalha de prata.
Braathen descreveu a corrida pelo pódio como uma “guerra”. Segundo ele, a estratégia foi buscar o ritmo ideal durante toda a descida. “Eu estava puxando, puxando, puxando. Sempre tentando achar a velocidade, achar o ‘flow’, para descer num ritmo bem rápido”, explicou.
O esquiador também ressaltou as dificuldades técnicas da prova, especialmente a diferença nas condições da pista entre as duas descidas. A neve, afirmou, fica “completamente diferente” à medida que os competidores passam, exigindo rápida adaptação.
“Achei o balanço. Estava esquiando com o coração. E quando você esquia do jeito que você é, tudo é possível”, acrescentou.
Mudança de bandeira e afirmação pessoal
Antes de defender o Brasil, Braathen competia pela Noruega. Ele deixou a equipe após conflitos com a federação local sobre a condução de sua carreira e optou por representar o país de origem de sua mãe.
Ao comentar a conquista, o atleta destacou a importância de manter sua identidade. “A única coisa que importa pra mim é que eu continuo sendo quem eu sou. Eu sou o esquiador brasileiro que virou o campeão olímpico”, afirmou.
O resultado em Milão-Cortina consolida um marco histórico para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno e projeta o nome de Lucas Pinheiro Braathen como protagonista de uma nova etapa do esporte nacional na neve.


