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'Morumbi virou uma gigantesca máquina de caça-níqueis', diz promotor

Investigação aponta que o estádio do São Paulo foi transformado em fonte de lucro privado para dirigentes e intermediários

Fachada do Estádio do Morumbi, na zona oeste de São Paulo (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

247 - Uma operação da Polícia Civil de São Paulo cumpriu quatro mandados de busca e apreensão para apurar um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis. Entre os investigados estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo Futebol Clube, Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares e então responsável pela diretoria feminina, cultural e de eventos, além de Rita Adriana, apontada como a principal negociadora irregular dos espaços VIP. Segundo o Ministério Público, o estádio teria sido explorado de forma recorrente para beneficiar interesses particulares em detrimento do clube, que é tratado como vítima no caso, conforme reportagem do G1.

De acordo com o promotor responsável pelo caso, as provas reunidas até o momento indicam um desvio sistemático de finalidade na utilização da arena. “As evidências que foram trazidas hoje mostram com segurança para a polícia e o Ministério Público que a arena Morumbi, em razão de shows seguidos, foi transformada, na verdade, em uma gigantesca máquina de caça-níqueis que favoreceram pessoas especificamente e não o clube, que é vítima de tudo o que está acontecendo”, afirmou.

Durante o cumprimento dos mandados, Rita Adriana não foi localizada no endereço indicado. Familiares informaram que ela reside em outro imóvel. No local, porém, a polícia apreendeu anotações consideradas relevantes para o avanço das investigações. Douglas Schwartzmann também não foi encontrado, pois está em viagem ao exterior, sendo a diligência acompanhada por seus filhos.

Na residência de Mara Casares, os agentes apreenderam cerca de R$ 20 mil em dinheiro vivo, além de documentação variada e uma CPU. Após a operação, tanto ela quanto Douglas pediram licença de suas funções no clube. Em nota oficial, o São Paulo Futebol Clube declarou que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”.

Os advogados dos investigados negam as acusações e sustentam que os áudios que embasam parte da apuração teriam sido retirados de contexto. Paralelamente à investigação policial, o clube enfrenta um processo político interno que culminou no afastamento do presidente Julio Casares. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar possíveis crimes relacionados à gestão, incluindo associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, sempre com o SPFC figurando como vítima.

O destino dos recursos movimentados no suposto esquema ainda não foi esclarecido. A polícia informou que, no mesmo período sob investigação, houve depósitos na conta pessoal de Julio Casares que somam aproximadamente R$ 1,5 milhão. A defesa do dirigente nega qualquer irregularidade. “Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio”, afirmou o advogado Bruno Borragini em entrevista ao programa Fantástico.

A defesa também argumenta que Casares, antes de assumir a presidência do clube, atuava como publicitário e recebia parte de seus rendimentos em dinheiro, o que explicaria os depósitos. Já o advogado do São Paulo, Pedro Iokoi, justificou os saques em espécie ao afirmar que determinadas despesas do futebol, como pagamentos de arbitragem e premiações a jogadores, exigem o uso de dinheiro vivo. Na tentativa de esclarecer os fatos, o clube contratou peritos independentes para reunir notas fiscais e demonstrar a destinação dos valores retirados do caixa.

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