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O que é problema que pode deixar Neymar de fora da estreia na Copa do Mundo

A evolução clínica nas próximas semanas será determinante para definir se o atacante terá condições de retornar com segurança

Neymar Jr. (Foto: Reuters/Andres Cuenca)
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247 - A lesão de Neymar na panturrilha acendeu um alerta na Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo, já que o atacante teve confirmada uma lesão muscular de grau 2 e ficará fora dos dois amistosos preparatórios do Brasil. O problema também pode comprometer sua presença na estreia da equipe no Mundial, dependendo da evolução clínica nas próximas semanas.

As informações são do g1. Segundo o diagnóstico divulgado nesta quinta-feira (28), Neymar sofreu uma lesão de grau 2 na panturrilha após já ter apresentado um edema muscular na última semana. Esse tipo de lesão ocorre quando há ruptura parcial das fibras musculares e é considerado um quadro de gravidade moderada, com perda parcial de força e função.

O médico ortopedista Eduardo Ramalho, especialista em trauma do esporte, explicou que esse diagnóstico indica um problema mais relevante do que uma simples sobrecarga muscular. “Nesses casos, significa que houve uma ruptura parcial das fibras do músculo. Não é apenas uma sobrecarga ou inflamação leve. Existe realmente um rompimento de parte da musculatura”, afirmou.

De acordo com Rodrigo Lasmar, médico da CBF, a previsão inicial é que Neymar esteja liberado em um prazo de duas a três semanas. Com isso, o atacante não participará dos amistosos da Seleção Brasileira contra o Panamá, marcado para este domingo (31), no Maracanã, e contra o Egito, previsto para 6 de junho, em Cleveland, nos Estados Unidos.

Caso a recuperação avance dentro do cenário mais otimista, Neymar poderá ficar à disposição da comissão técnica dois dias antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo. No entanto, se o prazo de recuperação se estender, o atacante corre o risco de não atuar na primeira partida da seleção na competição.

A lesão muscular ocorre quando a carga aplicada sobre o músculo ultrapassa sua capacidade de resistência. Os músculos são formados por milhares de fibras que funcionam de maneira semelhante a pequenos cabos elásticos. Quando submetidas a esforço excessivo, parte dessas fibras pode se romper, provocando dor, perda de força e limitação dos movimentos.

O ortopedista Mário Lenza, do Einstein Hospital Israelita, explicou que as fibras musculares atuam em conjunto para produzir força e movimento. Em situações de esforço intenso, como arrancadas, acelerações, mudanças bruscas de direção ou excesso de carga, algumas dessas fibras podem não suportar a tensão.

“No esporte de alto rendimento, esse risco aumenta bastante por causa da sequência de jogos, desgaste físico acumulado, fadiga muscular, pouco tempo de recuperação entre partidas e até histórico de lesões anteriores”, afirmou Lenza.

As lesões musculares são classificadas em três graus principais. A de grau 1 ocorre quando há um pequeno estiramento do músculo, com dor e sensibilidade, mas sem comprometimento relevante da função. A de grau 2, diagnosticada em Neymar, envolve ruptura parcial das fibras, dor moderada e perda parcial de força. Já a de grau 3 corresponde à ruptura completa do músculo ou à separação entre músculo e tendão, com perda quase total da função.

“Apesar de não ser a forma mais grave possível, uma lesão grau 2 merece bastante atenção, principalmente em um atleta de alta performance como o Neymar, porque a panturrilha é uma musculatura muito exigida no futebol”, comentou Ramalho.

Entre os sinais mais comuns de uma lesão muscular estão dor, sensibilidade, vermelhidão, hematomas, limitação de movimento, espasmos, inchaço e fraqueza. A intensidade dos sintomas varia conforme a gravidade, a extensão da ruptura e a região atingida.

No caso de Neymar, a preocupação é ampliada pelo fato de a panturrilha ser uma região muito exigida no futebol, especialmente em movimentos de explosão, arrancada e mudança de ritmo. A recuperação exige controle da dor, redução da inflamação e do edema, além de fisioterapia, fortalecimento muscular e recondicionamento físico.

“Na panturrilha, existe um cuidado muito grande porque é uma região com alto índice de recidiva. O jogador pode até melhorar da dor relativamente rápido, mas o músculo demora mais tempo para recuperar a capacidade de suportar cargas explosivas”, alertou Ramalho.

Embora a previsão da CBF indique liberação em duas a três semanas, especialistas apontam que o tempo de recuperação de uma lesão de grau 2 pode variar de forma significativa. Em geral, o retorno costuma ocorrer entre quatro e oito semanas, a depender da extensão e da localização exata da ruptura muscular.

A principal preocupação dos médicos é evitar que o atleta volte antes de estar plenamente recuperado. Um retorno precoce pode aumentar o risco de nova lesão, inclusive com gravidade maior.

“O maior risco do retorno precoce é a recidiva. Quando o músculo ainda não recuperou totalmente sua resistência, ele fica muito vulnerável a uma nova ruptura, muitas vezes mais grave do que a primeira”, reforçou Ramalho.

O edema muscular diagnosticado anteriormente já indicava que Neymar poderia ficar fora dos amistosos da Seleção Brasileira antes da Copa. O edema é um inchaço causado pelo acúmulo de líquido em determinada região do corpo e, em lesões esportivas, costuma estar associado a pancadas, sobrecarga ou estiramento de fibras musculares.

“Nesses casos, há um processo inflamatório dentro da musculatura, geralmente causado por sobrecarga, trauma ou uma pequena lesão muscular”, detalhou Ramalho.

Neymar sentiu a panturrilha durante a partida do Santos contra o Coritiba, no último dia 17. Segundo os especialistas, o edema pode ser um primeiro sinal de sofrimento muscular, indicando que a região já estava sob forte desgaste e trabalhando próxima do limite.

Apesar da confirmação da ausência nos amistosos, ainda não é possível afirmar que Neymar ficará fora da Copa do Mundo. A evolução clínica nas próximas semanas será determinante para definir se o atacante terá condições de retornar com segurança.

“Tudo vai depender da evolução clínica nas próximas semanas. Em lesões musculares desse tipo, existe sempre uma preocupação importante com o risco de nova lesão caso o retorno aconteça antes da recuperação ideal”, afirmou Lenza.

Ramalho destacou que uma lesão de grau 2 pode permitir recuperação a tempo, especialmente considerando a estrutura médica disponível para um atleta de elite. Ainda assim, o retorno dependerá da cicatrização muscular e da capacidade de suportar novamente movimentos de alta intensidade.

“Mas tudo depende da cicatrização muscular e principalmente da capacidade de retorno em alta intensidade sem risco elevado de nova lesão”, detalhou.

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