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Polícia abre inquérito contra presidente da Federação Paulista de Futebol por suspeita de crimes na gestão da entidade

Investigação contra Reinaldo Carneiro Bastos apura gestão fraudulenta, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes tributários

(Foto: Divulgação/FPF)

247 - A Polícia Civil do estado de São Paulo abriu um inquérito contra o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, por suspeita de crimes na gestão da entidade. A investigação foi iniciada por ordem da promotora Beatriz Lotufo Oliveira, do Ministério Público de São Paulo, a partir de denúncia que apontou “vultosa evolução patrimonial desprovida de lastro”. Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária.

A denúncia demonstra um crescimento “exponencial” do patrimônio de Bastos e de seus parentes diretos, que coincide com sua evolução na FPF, especialmente após alcançar a presidência da entidade. Além disso, diversas operações societárias atípicas são apresentadas como indícios de possível lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Entre essas operações, destaca-se que, em 2014, a maior parte do patrimônio de Bastos foi transferida para uma holding familiar, a LACS Participações Ltda. Em janeiro daquele ano, Marco Polo del Nero foi reeleito presidente, e Bastos, vice-presidente da FPF. À época, a imprensa já noticiava que del Nero mirava a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o que se concretizou em 2015, e que Bastos seria seu substituto à frente da federação paulista.

Outra transação que chama atenção na evolução patrimonial de Bastos é sua saída do quadro societário da Milclean Serviços Ltda., em 2021. O presidente da FPF vendeu sua participação a seu sócio Otávio Alves Corrêa Filho pelo valor de R$ 15,5 milhões, sendo que R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em espécie — o que é considerado atípico.

A Milclean é alvo de uma investigação interna no São Paulo Futebol Clube por um contrato firmado na gestão do presidente Julio Casares, um dos maiores apoiadores de Bastos na FPF. Segundo revelou o jornal O Estado de São Paulo, a Milclean tem um contrato de R$ 21,5 milhões com o clube para prestar serviços de limpeza, mas a empresa não disponibiliza nem metade do número de funcionários previsto no contrato. O acordo prevê um mínimo de 95 funcionários trabalhando no clube, mas, no mês de dezembro de 2025, o dia com o maior registro de colaboradores foi de 55, e o menor foi de apenas 39 trabalhadores.

O inquérito foi encaminhado, em 23 de janeiro, ao 23º Distrito Policial, em Perdizes, mas será transferido para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

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