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Sem ritmo após três meses parado, João Fonseca cai na estreia do Australian Open

Brasileiro luta com apoio da torcida, sente a perna no quarto set e é derrotado por Eliot Spizzirri, devendo deixar o top 40 no próximo ranking

João Fonseca (Foto: AFP)

247 – O tenista brasileiro João Fonseca voltou ao circuito depois de quase três meses sem disputar uma partida oficial, mas pagou caro pela falta de ritmo e acabou eliminado logo na estreia do Australian Open. Na madrugada desta terça-feira, 20, o carioca de 19 anos e então 32º do mundo foi superado pelo americano Eliot Spizzirri, 85º do ranking, por 3 sets a 1, com parciais de 6/4, 2/6, 6/1 e 6/2, em 2h38m de jogo.

A informação foi publicada pelo site Lance!, que destacou a diferença de sequência competitiva entre os dois tenistas e os impactos imediatos do resultado no ranking do brasileiro, que defendia a segunda rodada em Melbourne e tende a perder posições na próxima atualização.

Falta de ritmo pesa, e adversário aproveita melhor o início do jogo

A derrota marca a primeira vez em que João Fonseca cai em uma estreia de Grand Slam, depois de ter vencido as quatro estreias que disputou em 2025, todas por 3 sets a 0. Desta vez, porém, o começo foi decisivo para o roteiro da partida. Spizzirri entrou em quadra com mais constância nos ralis, boa velocidade de pernas e uma postura mais agressiva nos momentos-chave do primeiro set, conseguindo abrir vantagem e fechando a parcial por 6/4.

O contexto recente ajuda a explicar a diferença de ritmo. Enquanto Fonseca vinha sem jogos oficiais desde o fim de outubro, o americano chegou embalado pela sequência de competição na Oceania. Na semana anterior ao Australian Open, Spizzirri furou o qualifying, vencendo dois jogos, e ainda alcançou as quartas de final do ATP 250 de Auckland, na Nova Zelândia, igualando o melhor resultado da carreira. A combinação de confiança e rodagem se refletiu na capacidade de variar alturas, sustentar trocas longas e acelerar quando o brasileiro deixava bolas mais curtas.

Mesmo empurrado pela torcida e buscando se impor com o saque e com a direita, Fonseca oscilou mais do que o normal em intensidade e controle de profundidade. Em partidas de estreia, especialmente em quadras rápidas, pequenos lapsos costumam ter preço alto, e o americano soube administrar melhor os pontos longos e as oportunidades de quebra no momento em que o brasileiro ainda tentava encontrar o tempo de bola ideal.

Reação no segundo set mostra força, mas não se sustenta na reta final

Se o primeiro set evidenciou a falta de sequência competitiva, o segundo mostrou que Fonseca não se entregaria. O brasileiro elevou o nível, ajustou melhor a devolução e passou a explorar mais as trocas cruzadas, reduzindo o espaço para o rival comandar com o primeiro golpe após o saque. O resultado foi uma parcial bem diferente, fechada por 6/2, com maior estabilidade emocional e leitura mais clara dos padrões do jogo.

A reação animou o público e parecia recolocar o carioca no controle do confronto. Só que, a partir do terceiro set, a intensidade do americano voltou a prevalecer. Spizzirri foi mais eficiente na transição defesa-ataque, manteve regularidade nas bolas profundas e encurtou pontos quando necessário. Fonseca, por sua vez, voltou a sofrer para sustentar o nível de consistência por muitos games seguidos, e a parcial terminou em 6/1, com o americano recuperando totalmente a dianteira.

No quarto set, o quadro ficou ainda mais desfavorável para o brasileiro. Durante a parcial, Fonseca pediu atendimento médico, aparentemente por dores na perna esquerda, o que ajudou a limitar a movimentação e a explosão que costumam ser marcas do seu jogo. Com o deslocamento comprometido, a margem de erro diminuiu e Spizzirri encontrou caminho mais aberto para controlar as trocas. A parcial acabou em 6/2, selando a vitória do americano e a eliminação precoce do número 1 do Brasil.

Histórico recente com Spizzirri e o peso da preparação física no início da temporada

A queda em Melbourne também reacende um capítulo recente entre os dois. Em agosto de 2024, Spizzirri já havia derrotado João Fonseca na terceira e última rodada do qualifying do US Open, impedindo o brasileiro de estrear em Grand Slams naquela semana. Ou seja, não se trata apenas de um tropeço pontual em uma madrugada ruim, mas de um confronto no qual o americano já demonstrou conhecer caminhos para neutralizar o brasileiro, especialmente quando consegue impor ritmo desde o início.

Do lado de Fonseca, o retorno ocorreu em meio a um começo de temporada marcado por dificuldades físicas. O brasileiro desistiu dos dois primeiros torneios do ano, os ATPs de Brisbane e Adelaide, também na Austrália, em razão de uma lombalgia. Esse tipo de interrupção pesa não apenas na condição física, mas também na confiança para executar movimentos mais explosivos e, principalmente, na continuidade de treinos com intensidade real de competição.

Em Melbourne, o conjunto desses fatores apareceu em momentos diferentes. No segundo set, Fonseca provou que tem arsenal para dominar, mas não sustentou a performance no terceiro e no quarto. Ao mesmo tempo, o pedido de atendimento no fim da partida indica que, além do ritmo, a integridade física ainda é um ponto sensível neste início de calendário, justamente na fase em que a regularidade de jogos costuma definir a trajetória dos tenistas nas semanas seguintes.

Ranking, pontos defendidos e próximos passos: Buenos Aires como virada de chave

A eliminação na estreia tem impacto direto no ranking. Como defendia a segunda rodada do Australian Open do ano anterior, João Fonseca deve deixar o top 40 na próxima atualização, segundo o que foi relatado. Para um atleta jovem, a oscilação de posições é parte natural do processo, mas o momento exige leitura estratégica, sobretudo porque o calendário segue exigente e a recuperação de pontos depende de sequência de vitórias.

O foco imediato agora se volta para a América do Sul. O próximo compromisso do número 1 do Brasil será o ATP 250 de Buenos Aires, a partir de 9 de fevereiro, no saibro, onde ele vai defender o título conquistado em 2025. A troca de piso pode favorecer um recomeço, já que o saibro tende a oferecer mais tempo de reação e permitir construções de ponto mais longas, o que pode ajudar na retomada gradual de ritmo e confiança, desde que a condição física permita.

Mais do que o resultado em si, a estreia em Melbourne funciona como um termômetro do que precisa ser reconstruído. Depois de um período sem partidas oficiais, com desistências por lombalgia e ainda com sinais de desconforto físico durante o jogo, a prioridade passa por consolidar saúde, acumular minutos competitivos e recuperar consistência. O talento segue evidente, como mostrou a parcial em que dominou o rival, mas o tênis de alto nível cobra continuidade, e o Australian Open expôs isso com dureza.

Com 19 anos, João Fonseca ainda está no início da trajetória em Slams e em grandes palcos do circuito. A derrota interrompe uma sequência perfeita de estreias em Majors, mas não altera o ponto central do seu momento, que é transformar potencial em estabilidade ao longo da temporada. Buenos Aires, com o peso de defender título e com o desafio de se reerguer rapidamente, surge como a próxima grande prova para medir o quanto o brasileiro conseguirá virar a página e reconstruir embalo no início de 2026.

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