"Caso ela diga não": Câmara analisa pedido para PGR investigar trend de red pills que simula espancamento de mulheres (vídeo)
A chamada “trend” ganhou repercussão principalmente na plataforma TikTok e consiste em vídeos em que homens simulam agredir uma mulher
247 - A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve analisar nesta terça-feira (10) um requerimento que solicita à Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigação de uma tendência viral nas redes sociais conhecida como “treinando caso ela diga não”. O pedido foi apresentado pelo deputado federal Pedro Campos (PSB) e pede que o órgão avalie a abertura de procedimento próprio ou a adoção de medidas legais cabíveis. As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles.
A chamada “trend” ganhou repercussão principalmente na plataforma TikTok e consiste em vídeos em que homens simulam agredir uma mulher após um suposto pedido de namoro ou casamento caso ela responda negativamente. A dinâmica gerou forte reação de usuárias da rede social, que passaram a publicar vídeos criticando o conteúdo e cobrando providências das autoridades.
No requerimento apresentado à comissão, o deputado Pedro Campos afirma que a situação exige uma apuração cuidadosa por parte dos órgãos responsáveis pela defesa da ordem jurídica e dos direitos fundamentais.
Segundo o parlamentar, o conteúdo é especialmente preocupante por ser divulgado em um momento simbólico de mobilização pelos direitos das mulheres.“especialmente por se tratar de conteúdo direcionado ao público feminino, veiculado no mês dedicado à luta por seus direitos”.
Campos também alertou que a tendência nas redes sociais pode contribuir para a banalização da violência de gênero.De acordo com o deputado, a circulação de vídeos desse tipo possui potencial para normalizar comportamentos violentos e estimular atitudes agressivas contra mulheres.
Paralelamente à iniciativa no Congresso Nacional, a Polícia Federal já abriu um inquérito para investigar usuários que divulgaram conteúdos considerados como apologia à violência contra mulheres nas redes sociais.
A investigação é conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da corporação. Além da abertura do procedimento, a PF informou que perfis responsáveis por publicações misóginas foram derrubados das plataformas.
A apuração teve início após a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentar, no domingo (8), uma notícia-crime à Polícia Federal solicitando a investigação do caso.Em nota oficial, a corporação confirmou a abertura do procedimento investigativo.
“A Polícia Federal instaurou procedimento investigativo para apurar a divulgação de conteúdos que incitavam violência contra mulheres em perfis de redes sociais. A apuração teve início após o recebimento de denúncia sobre publicações associadas a uma tendência que incentivaria esse tipo de prática”.
A repercussão da trend provocou mobilização nas redes sociais, especialmente entre influenciadoras digitais e ativistas que defendem os direitos das mulheres. Em diversos vídeos publicados nas plataformas, criadoras de conteúdo criticaram a prática e pediram a responsabilização dos envolvidos.
O caso reacendeu o debate sobre a responsabilidade de usuários e plataformas digitais na disseminação de conteúdos que possam estimular comportamentos violentos ou discriminatórios.
Caso o requerimento seja aprovado pela Comissão de Segurança Pública da Câmara, a Procuradoria-Geral da República deverá avaliar se há elementos suficientes para instaurar investigação própria ou adotar outras medidas legais relacionadas à circulação da trend nas redes sociais.

