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CUT lança ciclos de diálogos sobre fascismo com Marilena Chauí

Iniciativa da CUT promove debates sobre democracia, extrema direita e organização sindical

Marilena Chauí (Foto: Reprodução (YT/ATerraÉRedonda))

247 - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) iniciou uma série de encontros para discutir o avanço de ideias autoritárias e os impactos sobre a democracia, reunindo especialistas e dirigentes sindicais para analisar o cenário político e fortalecer a organização da classe trabalhadora. A iniciativa, intitulada “Ciclos de Diálogos Formativos: Democracia sob Ataque - Fascismo, Extrema Direita e a Luta Sindical CUTista”, busca preparar trabalhadores para desafios concretos, incluindo o cenário eleitoral de 2026.

A informação foi divulgada pela própria CUT, que promoveu o primeiro encontro no dia 16 de abril, em formato online, com a participação da filósofa Marilena Chauí e do secretário de Administração e Finanças da entidade, Ariovaldo de Camargo, além de dirigentes sindicais e trabalhadores de diversas regiões do país.

Organizado pela Secretaria de Formação da CUT, o evento teve como foco a análise do crescimento de discursos autoritários e da disputa em torno do conceito de democracia. Na abertura, a secretária da pasta, Rosane Bertotti, destacou a necessidade de mobilização coletiva. “É hora de organização e ação coletiva. Estamos em um período em que o conceito de democracia está sendo disputado e precisa ser defendido pela classe trabalhadora”, afirmou.

A proposta dos encontros vai além da reflexão teórica. Segundo a entidade, os debates ocorrerão quinzenalmente até julho e abordarão temas como trabalho, segurança pública, racismo, misoginia, crise climática e guerra cultural, com o objetivo de fortalecer a atuação política e sindical.

Durante o debate, Marilena Chauí apontou o neoliberalismo como um dos fatores centrais para o avanço de ideias autoritárias. De acordo com a filósofa, esse modelo reorganiza a sociedade ao transformar direitos em mercadorias e enfraquecer o espaço público, o que favorece a disseminação de discursos de ódio. Ela afirmou que esse processo “cria terreno para a desinformação, o discurso de ódio e a construção de inimigos sociais, corroendo a solidariedade e fragmentando a vida coletiva”.

A análise foi complementada por Ariovaldo de Camargo, que relacionou esse cenário à perda de consciência de classe entre trabalhadores. “Quando o trabalhador deixa de se reconhecer como parte de uma coletividade, passa a defender ideias que enfraquecem seus próprios direitos”, afirmou. Ele também citou episódios recentes, como os ataques de 8 de janeiro de 2023, como reflexo concreto desse avanço.

Chauí ainda destacou que o deslocamento de recursos públicos para o setor privado compromete o acesso universal a direitos como saúde e educação, ampliando desigualdades sociais. Já Ariovaldo associou esse processo à precarização do trabalho e ao enfraquecimento da organização sindical. “A negociação individual substituindo a negociação coletiva pulveriza, enfraquece o sindicato e o patrão depois passa a exercer o seu poder de autoritarismo”, afirmou.

Outro ponto abordado foi o impacto das transformações econômicas na vida social. A filósofa mencionou o crescimento do chamado “precariado”, marcado pela instabilidade e ausência de proteção social. “Nesse cenário, cresce a responsabilização individual pelo fracasso”, disse.

O papel do Estado também foi discutido. Chauí alertou que, ao contrário da ideia de redução estatal, o neoliberalismo amplia mecanismos de controle e vigilância, especialmente com o uso de tecnologias digitais. Ariovaldo ressaltou a necessidade de resposta organizada do movimento sindical. “O sindicato precisa estar no cotidiano das pessoas, dialogando com a realidade concreta e disputando consciência”, afirmou.

O dirigente defendeu ainda a ampliação da atuação sindical para além das pautas corporativas, criticando práticas como a privatização de serviços públicos, a militarização das escolas e a precarização das relações de trabalho, incluindo a “uberização”.

Ao tratar das novas tecnologias, Ariovaldo destacou que ferramentas como a inteligência artificial podem aprofundar desigualdades caso não haja regulação. Segundo ele, cabe à classe trabalhadora disputar o uso desses instrumentos.

Os ciclos de debates seguem nas próximas semanas, com a proposta de ampliar a formação política e fortalecer a organização coletiva como estratégia para enfrentar desigualdades e defender a democracia no país.