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Edir Macedo emprega R$ 866 milhões para viabilizar a venda do Digimais

Auditoria aponta dúvidas sobre condições financeiras de operação ligada ao Digimais

Edir Macedo (Foto: Reprodução (IURD))

247 - O investimento de R$ 866 milhões realizado por Edir Macedo para viabilizar a venda de seu banco entrou no centro de questionamentos após análise de auditores independentes. A operação, que buscou atender exigências regulatórias do Banco Central, envolveu valores elevados e levantou dúvidas sobre a adequação das condições financeiras adotadas.

Segundo informações publicadas na coluna Júlio Wiziack nesta sexta-feira (10), o aporte incluiu R$ 741,3 milhões somados a outros R$ 125 milhões já destinados anteriormente à instituição. O objetivo foi garantir o enquadramento ao capital mínimo exigido pelas autoridades para permitir a negociação do Digimais. A operação teve como base a aquisição de cotas do fundo de investimento Hermon, por meio da empresa B.A. Empreendimentos e Participações. 

Com esse movimento, o banco conseguiu captar R$ 126 milhões, o que contribuiu para completar um aporte total de R$ 250 milhões exigido pelo Banco Central. A auditoria responsável pela análise do balanço do banco apontou inconsistências na operação. Em relatório, destacou que a transação pode “não refletir condições usuais de mercado, porque não prevê remuneração compatível com sua natureza econômica”. 

A avaliação indica que o valor pago ficou acima do esperado para ativos desse tipo.Os auditores também chamaram atenção para a ausência de elementos que permitam validar plenamente a operação. De acordo com o documento, não havia “evidências de auditoria apropriadas e suficientes que permitissem concluir sobre a adequada classificação, mensuração do ativo reconhecido e a razoabilidade dos efeitos contábeis decorrentes dessa transação”.

Outro ponto destacado no relatório envolve a própria estrutura da compra das cotas, que depende do efetivo recebimento dos valores por parte do comprador. Essa condição reforça as dúvidas sobre a consistência contábil e financeira do negócio.

O caso ocorre em meio à tentativa de venda do Digimais e evidencia desafios enfrentados pela instituição para atender às exigências regulatórias. A análise dos auditores adiciona um novo elemento ao processo, ao questionar a transparência e a lógica econômica da operação realizada.

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