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Bispo Edir Macedo é o próximo a fazer explodir banco de médio porte

Fala-se em passivos do Digimais na casa de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões, valores que, em caso de intervenção ou liquidação, pressionariam ainda mais o fundo

Edir Macedo (Foto: Reprodução (Redes Sociais))

247 - Enquanto a mídia em geral força os olhos do país – usando para isso até o recurso de fake News sob a forma de PowerPoint -, na direção do Banco Master, novas nuvens carregadas se avolumam no horizonte, e que desabarão, em breve, numa tempestade, sobre mais um pequeno banco. O prejuízo, claro, não fica só para os donos, nesse caso o bispo Edir Macedo. Ele é mais um que usa da aposta no Fundo Garantidor de Crédito (CGC), para arcar com os prejuízos de até R$ 250 mil, dos correntistas do Banco Digimais, e os de maiores ativos que se danem.

O Banco Digimais, antigo Banco Renner, é um banco brasileiro inaugurado em 1981 pela família Renner, com sede em Porto Alegre, e é controlado pelo Grupo Record. A instituição financeira é focada em crédito consignado e financiamento de veículos. Possui 7 filiais, mais de 100 mil clientes e 5 administradores-chave, e contava com um lucro de quase 1 bilhão de reais em 2016, quando foi anunciada a aquisição, pelo bispo, de 49% do negócio.

Depois de Vorcaro, Edir Macedo é mais um a se fiar no FGC, que funciona como um “seguro” do sistema bancário, pois cobre depósitos de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, evitando pânico financeiro e corridas bancárias quando tudo explodir (e está quase).

O que é necessário que se diga, é que esse seguro não é público nem gratuito. Sai do nosso bolso. Ele é financiado pelos próprios bancos — sobretudo os grandes —, que repassam esse custo aos clientes. No fim da cadeia, quem paga é a sociedade. Nos últimos anos, porém, agindo visivelmente com má fé, os controladores (uma sucessão de bancos médios) têm entrado em crise, expondo um problema estrutural: o fundo é robusto, mas não infinito.

Depois do Master, agora surge mais um nome no radar: o banco Digimais, ligado ao conglomerado do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, proprietário de um império de mídia e figura de grande influência política associada ao partido Republicanos, que possui bancada expressiva no Congresso Nacional.

A instituição atuava fortemente no crédito consignado — empréstimos descontados diretamente da folha de aposentados e servidores públicos. Um dos negócios mais lucrativos do sistema financeiro, baseado numa clientela cativa e vulnerável, refém desse tipo de empréstimos.

Após a pandemia, a inadimplência subiu, o custo do dinheiro disparou e diversos bancos médios passaram a pagar taxas muito acima do mercado para captar recursos via CDBs.

Isso é o chamado funding caro — dinheiro captado a qualquer preço para manter a engrenagem girando. Mesmo assim, a propaganda vinha sempre acompanhada de um tranquilizante poderoso: “Pode investir. Tem garantia do FGC.”

É aqui que entra o mecanismo perverso conhecido como moral hazard — o risco moral. Quando agentes econômicos sabem que não arcarão sozinhos com as consequências de suas apostas, tendem a assumir riscos cada vez maiores. Se der certo, os lucros são privados. Se der errado, o prejuízo é socializado para todo o sistema bancário.

Fala-se em passivos do Digimais na casa de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões, valores que, em caso de intervenção ou liquidação, pressionariam ainda mais o fundo.

Importante lembrar: o FGC não é dinheiro do Tesouro nem do Banco Central. Mas seus principais contribuintes são justamente os grandes bancos — incluindo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — instituições com forte presença estatal e milhões de clientes.

Na prática, o custo retorna à população na forma de crédito mais caro, tarifas elevadas e spreads abusivos.

O fundo é essencial para a estabilidade financeira. Sem ele, qualquer boato poderia desencadear pânico sistêmico.

O problema é quando essa rede de proteção passa a funcionar como incentivo indireto para estratégias arriscadas de crescimento rápido, crédito agressivo e captação a juros irreais. Não é um seguro neutro. É um amortecedor que permite quedas mais altas.

Se episódios desse tipo se multiplicarem, o debate deixa de ser técnico e passa a ser político: quem se beneficia dos lucros e quem arca com os prejuízos? O investidor ganha tranquilidade. Os bancos problemáticos ganham tempo. E a sociedade paga a conta.

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