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Auditoria do BRB apontou inconsistências no balanço do Banco Master durante análise de fusão

Documentos revelam questionamentos técnicos sobre ativos, fundos e operações financeiras analisadas pelo Banco Central

Banco Regional de Brasília BRB (Foto: Divulgação)

247 - A análise conduzida pelo Banco Central sobre a proposta de fusão entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) identificou uma série de inconsistências relevantes no balanço da instituição controlada por Daniel Vorcaro. Os questionamentos foram formalizados ao longo de seis meses, período em que o regulador examinou detalhadamente os dados financeiros apresentados.

As diligências incluíram pedidos sucessivos de esclarecimento sobre ativos, estrutura de fundos e operações específicas. Parte significativa das dúvidas surgiu a partir de inconsistências apontadas em auditoria independente realizada no contexto da avaliação da operação.

Entre os principais pontos destacados estão debêntures superiores a R$ 2 bilhões vinculadas a fundos com direitos creditórios do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS). O Banco Central exigiu esclarecimentos detalhados sobre a ausência de validação por parte da Caixa Econômica Federal e a falta de documentação suficiente para confirmar eventuais ajustes necessários.

Outro aspecto sensível envolve a declaração de aproximadamente R$ 1,924 bilhão em investimentos em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo a análise, não houve apresentação completa da composição das carteiras nem das demonstrações financeiras auditadas dos fundos relacionados. Diante disso, o regulador cobrou explicações sobre a não conversão desses recursos em reais para reforço da liquidez da instituição.

Também foram alvo de questionamentos os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). No caso do FIDC RSG, estimado em R$ 599 milhões, chamou atenção a rentabilidade registrada de 4.245,81% em apenas 42 dias, considerada atípica e sujeita a esclarecimentos adicionais. Já o FIDC Ital, avaliado em R$ 641 milhões, teve sua composição e documentação contábil solicitadas para análise mais aprofundada.

As dúvidas se estenderam ao balanço do Will Bank (Will Financeira), instituição adquirida pelo Banco Master. O Banco Central destacou um valor de R$ 935 milhões a receber de uma empresa identificada como Niobium, solicitando detalhamento sobre a natureza do crédito, garantias, riscos envolvidos e eventual necessidade de provisões.

De acordo com as informações apresentadas, o montante estaria relacionado à venda de ativos intangíveis no âmbito de uma reestruturação societária. No entanto, não foram fornecidos elementos suficientes para identificar com clareza a contraparte envolvida ou validar a conformidade da operação com as normas prudenciais.

Durante a análise, o Banco Central também registrou a ausência de um relatório final consolidado da auditoria independente. Apenas uma versão preliminar foi apresentada, sem atualização que refletisse as alterações ocorridas ao longo das negociações da fusão, o que dificultou a avaliação completa dos ativos e do escopo final da operação.

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