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Família de psicóloga desaparecida em vilarejo na Inglaterra dá novas informações sobre o caso

Vitória, natural do Ceará, estava no país europeu para participar de atividades acadêmicas

A psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto foi vista pela última vez no dia 3 de março. A Polícia de Essex pede que moradores da região chequem imagens de câmeras de segurança. (Foto: Reprodução)

247 - As buscas pela psicóloga brasileira Vitória Figueiredo Barreto, desaparecida na Inglaterra desde o dia 3 de março, mobilizam moradores e autoridades locais no vilarejo de Brightlingsea, no condado de Essex. O caso tem gerado grande repercussão entre familiares e amigos da brasileira, que acompanham as investigações de perto. As informações foram divulgadas pelo g1.

Vitória, natural do Ceará, estava no país europeu para participar de atividades acadêmicas e explorar oportunidades de estudo quando desapareceu. Segundo relatos da família, ela havia viajado inicialmente para participar de um congresso internacional e de cursos no Marrocos, ainda no mês de janeiro, antes de seguir para a Inglaterra.

Durante os primeiros compromissos da viagem, a psicóloga esteve acompanhada do psiquiatra Adalberto Barreto, seu tio, com quem divide atividades profissionais ligadas à terapia comunitária. Atualmente no Brasil, ele acompanha as atualizações sobre o caso por meio de familiares e amigos que permanecem na Inglaterra auxiliando nas buscas.

Entre os indícios analisados pelas autoridades está a possível relação entre o desaparecimento da psicóloga e o sumiço de uma embarcação no porto de Brightlingsea, localizado a cerca de 90 quilômetros de Londres. Durante as investigações, a polícia também informou que um colete salva-vidas da embarcação não foi encontrado.Imagens de câmeras de segurança registraram uma pessoa que pode ser Vitória próxima ao estaleiro de onde o barco desapareceu. O local fica nas proximidades do ponto onde a bolsa da psicóloga foi encontrada.Segundo o tio da brasileira, investigadores também analisam imagens que mostram uma mulher remando sozinha em uma embarcação.“

Eles [policiais] acham que é ela, mas ainda estavam analisando, que estaria pegando um dos barcos que estavam ali e passou para a outra margem, para o outro lado. Tem uma imagem de uma mulher sozinha remando, e viram que essa barca estava amarrada [do outro lado]. Então quem atravessou, atravessou e amarrou. Então, eles estão nessa busca atualmente. Ainda não liberaram as imagens, mas avisaram a família”.Outro ponto que intriga os investigadores é a localização do celular da psicóloga, cujo último sinal foi registrado no mar.“Ainda o mistério é como que esse celular foi parar lá, se ele está [no mar] sozinho ou se estaria com ela”, comentou o familiar.Adalberto Barreto tem convivência próxima com a sobrinha. Fundador do Projeto 4 Varas: Terapia Comunitária Integrativa, ele frequentemente participa de palestras e atividades de formação ao lado de Vitória em diferentes países.

Em janeiro, os dois participaram do Congresso Internacional de Psiquiatria Social, realizado na cidade de Marraquexe, no Marrocos. Após o evento, seguiram para Casablanca, onde ministraram juntos os cursos “O Que as Minhas Dores Querem me Dizer” e “Renascimento e a Herança Familiar”.

Segundo o tio, após essas atividades Vitória seguiu para a Inglaterra com o objetivo de ampliar sua atuação acadêmica e buscar oportunidades para iniciar um doutorado, além de implantar um polo de formação em Terapia Comunitária no país.

Família vive momento de angústia
A incerteza sobre o paradeiro da psicóloga tem sido um período de grande sofrimento para familiares e amigos. De acordo com Adalberto Barreto, a espera por respostas provoca uma série de questionamentos e sentimentos difíceis de lidar.“Enquanto a pessoa está desaparecida, a nossa mente fica procurando razões. Por isso que eu digo que é importante, nesses momentos, que a família procure se apoiar, evitar julgamentos. Quando há situações assim, é uma tendência natural procurar um culpado, dizer que é castigo, isso ou aquilo. Mas que esse seja um momento de reflexão, de ter esperança que a gente vai ter um final feliz”.

Ele também levantou a hipótese de que a sobrinha possa ter enfrentado algum tipo de sofrimento emocional antes do desaparecimento. No entanto, destacou que Vitória sempre demonstrou ser uma pessoa equilibrada e independente.“Se, de fato, houve um burnout, alguma exaustão ou algo que desencadeou esse momento de ficar ‘fora do ar’ em todos os sentidos, é um momento para nós refletirmos. Para a gente cuidar também da gente. Não é porque eu sou médico ou psiquiatra, psicólogo, que eu estaria imune ao sofrimento psíquico”.

Apesar das incertezas, o psiquiatra ressaltou a forte mobilização que tem ocorrido desde o desaparecimento da psicóloga, com moradores da região participando das buscas.“No vilarejo lá onde ela se perdeu, está todo mundo mobilizado. Cartazes por tudo quanto é de canto, as pessoas caminhando e procurando pistas. Então, é uma mobilização muito grande. É isso que é importante, a gente vê que uma pessoa conta. Num mundo cada vez mais individualizado e egoísta, a gente vê esses gestos de solidariedade”.

Desaparecimento ocorreu após encontro com amiga
Vitória estava hospedada na casa de uma amiga brasileira, identificada como Liliane, enquanto participava de atividades acadêmicas ligadas à Universidade de Essex, em Colchester, cidade localizada a cerca de 90 quilômetros a nordeste de Londres.

No dia do desaparecimento, a psicóloga almoçou com a amiga em um restaurante próximo à universidade. As duas haviam combinado de se reencontrar no final da tarde, mas Vitória não apareceu no local marcado.

Diante da ausência e da dificuldade de contato, o desaparecimento foi comunicado à Polícia de Essex no dia seguinte, 4 de março.A mãe e o namorado da psicóloga viajaram para a Inglaterra para acompanhar as buscas e os desdobramentos da investigação.

Trajetória acadêmica e atuação internacional
Vitória Figueiredo Barreto possui uma trajetória profissional consolidada na área da psicologia. 

Formada em Psicologia Integrativa pela Universidade de Fortaleza (Unifor), ela acumulou diversas especializações ao longo da carreira.Entre suas formações estão Terapia Familiar Sistêmica e Constelação pelo Instituto Militão. A psicóloga também atua como capelã pela CETEB e é poliglota.

Como terapeuta sistêmica integrativa, Vitória atua como instrutora certificada e professora de Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e Técnicas de Resgate da Autoestima (TRA) pelo MISMEC 4 Varas, conduzindo capacitações reconhecidas em diversos países.

Sua atuação profissional também inclui colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), onde contribui para a sistematização da Terapia Comunitária Integrativa em parceria com um centro localizado em Lima, no Peru.

Itamaraty acompanha o caso
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral do Brasil em Londres. Segundo o Itamaraty, o órgão mantém contato com as autoridades britânicas responsáveis pela investigação e também com os familiares da psicóloga.

O ministério afirmou que presta assistência consular à família e segue os protocolos previstos pela legislação brasileira e internacional. Por questões de privacidade, no entanto, o órgão não divulga detalhes adicionais sobre o caso.

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