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MPF anuncia abertura de investigação sobre trend de vídeos misóginos que viralizaram nas redes sociais

Conteúdos simulam agressões contra mulheres e circulam principalmente no TikTok

Ministério Público Federal (MPF) (Foto: Leobark Rodrigues/Secom/MPF)

247 - O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta terça-feira (10) a abertura de investigação sobre a circulação de vídeos misóginos nas redes sociais associados à trend intitulada "quando ela diz não". Segundo o órgão, grande parte dessas gravações se espalhou no TikTok. As informações são do jornal O Globo.

Nos conteúdos, criadores encenam situações em que fazem pedidos românticos e, após a frase "treinando caso ela diga não" aparecer na tela, passam a simular reações violentas diante de uma possível rejeição. O procurador federal dos Direitos Humanos, Nicolao Dino, afirmou que as publicações podem estimular discursos de ódio no ambiente digital. Ele declarou que "os conteúdos contribuem para a naturalização simbólica da agressão de gênero".

Atuação do Ministério Público

O despacho de Dino foi encaminhado ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal, que deverá instaurar procedimento para investigar o caso e adotar medidas consideradas necessárias. O documento também foi enviado ao Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos.

Paralelamente, a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal já iniciou um inquérito para apurar a atuação de usuários que publicaram os vídeos. A investigação foi aberta após a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitar providências à corporação.

Origem da trend

As gravações mostram homens simulando abordagens românticas, como pedidos de namoro ou casamento. Em seguida, os criadores passam a encenar agressões, incluindo socos, chutes e facadas, diante da hipótese de recusa. A AGU informou que a circulação das publicações teria começado em quatro perfis no TikTok. Os conteúdos já foram removidos da plataforma. O órgão sustenta que os responsáveis podem responder por incitação a crimes de gênero.

Em avaliação da Advocacia-Geral da União, "a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres".

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