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O e-mail encontrado que complica ainda mais situação de síndico que confessou assassinato de corretora: "feto inútil"

Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após ser vista pela última vez no prédio onde residia, no centro de Caldas Novas

Corpo de corretora estava em área de mata na cidade de Caldas Novas, segundo a polícia (Foto: Reprodução)

247 - A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, encontrada morta em dezembro de 2025 no sul de Goiás, havia procurado o Poder Judiciário para relatar ameaças, ofensas e o temor de ser assassinada. Em um e-mail enviado ao juizado de Caldas Novas, ela afirmou ter “medo e receio de minha própria vida” ao denunciar ataques que atribuía ao síndico do prédio onde morava e ao filho dele. As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1, que teve acesso ao documento.

Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após ser vista pela última vez no prédio onde residia, no centro de Caldas Novas. Segundo a investigação, ela teria ido até o subsolo do edifício para tentar restabelecer a energia elétrica de seu apartamento, que estava sem luz. Dias depois, o corpo foi localizado em uma área de mata no município de Ipameri, a cerca de 20 quilômetros de distância, já em estado de ossada.

No e-mail encaminhado ao juizado, a corretora descreveu um histórico de conflitos com Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico Cleber Rosa de Oliveira. Ambos passaram a ser investigados pela polícia como principais suspeitos do crime. No documento, Daiane relata que sofria danos “materiais e morais” e afirma ser alvo constante de ataques de misoginia.“Por isso, na medida cautelar, peço o pedido de afastamento e divulgação de qualquer forma do meu nome. Tenho medo e receio de minha própria vida”, escreveu a corretora no trecho do e-mail encaminhado à Justiça.

De acordo com o relato, Maicon Douglas, que também atuava como corretor de imóveis, teria iniciado as ofensas com o objetivo de impedir que Daiane continuasse trabalhando com locações no prédio. A disputa profissional teria sido o estopim para uma série de agressões verbais e psicológicas, segundo o documento anexado ao processo.

Ainda conforme o texto enviado ao juizado, Daiane afirmou que passou a receber mensagens ofensivas pelo Instagram. As comunicações, segundo ela, continham termos humilhantes e depreciativos, causando forte impacto emocional. O comportamento foi descrito como uma sequência de ataques diretos, marcados por violência psicológica, misoginia e preconceito etário.

“As mensagens continham insinuações sobre a situação financeira da reclamante, além de comentários preconceituosos sobre sua idade, caracterizando um claro caso de etarismo, se referindo à reclamante de forma desrespeitosa, chegando ao ponto de chamá-la de ‘feto inútil’”, diz outro trecho do documento, mantido integralmente.

Diante do cenário, a corretora solicitou à Justiça o deferimento de uma tutela provisória de urgência. O pedido levou em consideração, segundo o e-mail, o desgaste emocional sofrido, os crimes contra a honra e a dignidade e a necessidade de proteção imediata, além de um pedido de indenização por danos morais.Além das denúncias de ameaças e ofensas, Daiane também havia registrado ocorrência por agressão física. Em maio de 2025, ela acusou o síndico Cleber Rosa de Oliveira de tê-la agredido durante uma discussão sobre a falta de água em seu apartamento. Na ocasião, a corretora filmou o momento em que teria sido atingida por um golpe com o cotovelo.

Em depoimento à polícia, Daiane relatou que foi agredida durante a discussão. Cleber, por sua vez, alegou que foi empurrado e que, nesse momento, o celular da corretora caiu enquanto ela gravava a conversa. 

O avanço das investigações levou à prisão de Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, na madrugada da última quarta-feira (28), em Caldas Novas. Segundo a Polícia Civil, ele confessou o homicídio e indicou aos investigadores o local onde abandonou o corpo da vítima, em uma área de mata em Ipameri.Além do síndico, o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, analista de sistemas, também foi preso, suspeito de obstruir a investigação. Um porteiro do prédio chegou a ser conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos, mas teve o nome preservado e, por isso, não houve contato com a defesa para manifestação.

Para o delegado responsável pelo caso, Pedromar Augusto de Souza, os elementos reunidos ao longo da apuração indicam que a vítima vinha sofrendo uma escalada de violência antes de ser morta. O conteúdo do e-mail enviado ao juizado reforça, segundo a polícia, que Daiane já se sentia ameaçada e buscava proteção institucional meses antes do crime.

O caso segue sob investigação, enquanto os suspeitos permanecem à disposição da Justiça. A morte de Daiane Alves Souza reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas de proteção a vítimas que denunciam ameaças e violência, especialmente em contextos de conflitos prolongados e reiteradas agressões psicológicas.

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