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O sinal ignorado em orelha de influenciador morto que indicava graves problemas de saúde

Diversos estudos passaram a investigar a relação entre essa prega na orelha e doença

Henrique Maderite (Foto: Instagram/Henrique Maderite)

247 - A morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, por um infarto fulminante, reacendeu o debate sobre um possível sinal visível de risco cardiovascular: a dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como “sinal de Frank. As informações são do G1.

À primeira vista, a ruga que atravessa o lóbulo da orelha em diagonal pode parecer apenas uma característica estética. No entanto, pesquisas médicas indicam que essa marca pode estar associada ao envelhecimento precoce das artérias e a um risco aumentado de doença coronariana. Especialistas ressaltam que o sinal não é um diagnóstico, mas funciona como um alerta que deve ser analisado em conjunto com outros fatores de risco.

O sinal de Frank foi descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, em um artigo publicado na revista científica “New England Journal of Medicine”. Na época, ele observou que 20 pacientes com doença coronariana apresentavam a dobra no lóbulo da orelha, a maioria deles também com fatores de risco cardiovasculares conhecidos.

Desde então, diversos estudos passaram a investigar a relação entre essa prega e a aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias, o que pode levar a infarto, AVC e outras complicações graves. A hipótese mais aceita é que alterações microvasculares e a perda de elasticidade da pele e dos vasos estejam relacionadas a esse processo.

No Brasil, um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) analisou a associação entre alterações dermatológicas — especialmente a prega diagonal no lóbulo da orelha, o sinal de Frank, e a prega pré-auricular — e a presença de doença arterial coronariana. A pesquisa avaliou 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia entre 2004 e 2005 e encontrou a prega diagonal em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo controle.

Os pesquisadores observaram ainda que, quando as duas pregas apareciam juntas, o valor preditivo positivo chegava a 90% para a presença de doença coronariana. Apesar dos números, os autores destacaram que o mecanismo exato dessa associação ainda não está completamente esclarecido pela ciência.

Para o cardiologista João Vicente da Silveira, da Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP, o sinal deve ser visto como um indicativo de atenção, especialmente quando surge em pessoas mais jovens. “É um sinal, um alerta, uma pista. Uma luz vermelha que acendeu e apagou. Não necessariamente ele está com as artérias coronárias obstruídas e vai ter um infarto, mas é um alerta para o médico ficar atento e fazer exames mais específicos. E o contexto global precisa ser avaliado, como a história familiar e os fatores de risco”, afirma o especialista.

Segundo o médico, dificilmente as pessoas nascem com essa marca, e na maioria dos casos ela se desenvolve ao longo da vida, geralmente de forma bilateral. Quando aparece em adultos jovens, a preocupação aumenta, pois costuma estar associada a hábitos e condições que aceleram o envelhecimento vascular.

“É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando”, diz Silveira. Ele explica que o lóbulo da orelha possui microartérias e que a prega estaria relacionada a uma desorganização das células de colágeno responsáveis pela elasticidade dos vasos. Com a perda dessa elasticidade, as artérias tendem a se tornar mais rígidas, o que favorece entupimentos e aumenta o risco de infarto e AVC.

Entre os principais fatores de risco que precisam ser avaliados em conjunto com o sinal de Frank estão pressão arterial elevada, alterações nos níveis de glicemia e colesterol, tabagismo, obesidade, consumo frequente de álcool e sedentarismo. De acordo com o cardiologista, quando esses elementos estão presentes, a chance de problemas cardíacos aumenta e exige acompanhamento médico mais rigoroso.

Nesses casos, além da medição regular da pressão arterial, costumam ser solicitados exames como ecocardiograma, teste ergométrico, avaliação do perfil lipídico e, em situações específicas, angiotomografia das coronárias ou cateterismo cardíaco. Se houver confirmação de obstruções nas artérias, pode ser necessária a colocação de stents, além de tratamento medicamentoso e monitoramento contínuo.

Especialistas reforçam que o sinal de Frank não substitui exames e nem deve gerar alarme isolado, mas serve como um possível aviso visível de que algo pode não estar bem com a saúde cardiovascular. A recomendação é que qualquer pessoa que perceba essa marca, especialmente se tiver outros fatores de risco, procure avaliação médica para uma investigação adequada e preventiva.

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