China cumpre meta anual e cresce 5% em 2025
Economia chinesa alcança 140,19 trilhões de yuans, reforça resiliência e mantém papel central no crescimento global
247 - O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5% em 2025 na comparação anual, alcançando 140,19 trilhões de yuans (cerca de US$ 20,13 trilhões) e atingindo a meta oficial de crescimento estipulada para o ano. É a primeira vez que a economia chinesa ultrapassa a marca de 140 trilhões de yuans, consolidando o país como a segunda maior economia do mundo, mesmo em um cenário internacional marcado por pressões negativas e incertezas.Os dados foram divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) e repercutidos pelo jornal Global Times, que destacou a capacidade de resiliência e adaptação da economia chinesa diante de desafios como a desaceleração do setor imobiliário, a demanda interna ainda moderada e a guerra tarifária provocada pelos Estados Unidos.
Ao longo de 2025, o desempenho econômico apresentou variações trimestrais. No primeiro trimestre, o PIB avançou 5,4%; no segundo, 5,2%; no terceiro, manteve crescimento anual estável; e, no quarto trimestre, registrou alta de 4,5% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar da leve desaceleração no fim do ano, a trajetória geral permaneceu sólida e consistente.
Durante coletiva de imprensa realizada após a divulgação dos números, o chefe do Departamento Nacional de Estatísticas, Kang Yi, avaliou de forma positiva o desempenho econômico. “A economia nacional manteve o ritmo de progresso constante em 2025, apesar das múltiplas pressões, e o desenvolvimento de alta qualidade registrou novas conquistas”, afirmou. Segundo ele, o conjunto de políticas adotadas ao longo do ano contribuiu para a estabilidade e para avanços estruturais importantes.
O economista Tian Yun, de Pequim, também destacou a solidez do resultado. “Embora o crescimento econômico no quarto trimestre tenha apresentado uma desaceleração gradual, a trajetória geral permaneceu estável ao longo do ano, com a estrutura econômica continuando a mostrar sinais de otimização”, disse ao Global Times. Ele ressaltou ainda que a economia chinesa demonstrou forte capacidade de resistência diante de fatores adversos, como tensões comerciais, fragilidades no mercado imobiliário e incertezas externas.
No campo produtivo, a indústria teve papel relevante. Em 2025, a produção industrial de valor agregado cresceu 5,9% na comparação anual, impulsionada tanto pela demanda externa quanto pelo avanço de setores estratégicos. Em contrapartida, o investimento em ativos fixos recuou 3,8% no mesmo período, refletindo ajustes em segmentos tradicionais da economia.
Hu Qimu, vice-secretário-geral do Fórum 50 para a Integração das Economias Digitais e Reais, enfatizou o avanço de áreas como alta tecnologia e manufatura avançada. Para ele, esses setores demonstram que “o desenvolvimento das novas forças produtivas de qualidade da China está se intensificando e se tornará um importante motor da economia em 2025”. Segundo Hu, a consolidação desses segmentos fortalece a base industrial e amplia o potencial de crescimento sustentável.
O consumo interno também apresentou evolução positiva. As vendas no varejo de bens de consumo cresceram 3,7% em relação a 2024, com desempenho mais estável no quarto trimestre. Analistas associam esse resultado a políticas de estímulo à demanda e ao aumento dos gastos durante o feriado do Dia Nacional e do Festival do Meio Outono, que duraram oito dias. A maior contribuição do consumo doméstico indica, segundo especialistas, uma estrutura econômica mais equilibrada e menos dependente de estímulos pontuais.
No comércio exterior, a China alcançou novos recordes. O volume de comércio de bens cresceu 3,8% em 2025, totalizando 45,47 trilhões de yuans (US$ 6,51 trilhões). Foi a primeira vez que o indicador superou a marca de 45 trilhões de yuans, reforçando o papel das exportações no suporte à atividade industrial ao longo do ano.
O início de 2026 marca também o começo do 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030), e as perspectivas permanecem positivas. Tian Yun afirmou que os fundamentos de longo prazo seguem inalterados e que, com a coordenação de múltiplas políticas, o crescimento econômico tende a se recuperar de forma gradual, apesar das incertezas globais.
Hu Qimu destacou o papel crescente da inteligência artificial no próximo ciclo econômico. “Em 2026, a aplicação profunda da inteligência artificial em mais cenários aproveitará plenamente as vantagens da China — incluindo seu sistema industrial completo, mercado de escala ultragrande e ambientes de aplicação ricos — e, assim, desempenhará um papel significativo no estímulo ao consumo, na melhoria da eficiência operacional industrial e na redução dos desequilíbrios estruturais entre oferta e demanda”, afirmou. Segundo ele, o avanço da IA também deverá impulsionar novas indústrias e modelos de negócios.



