Investidores globais ampliam apostas em ações chinesas e no yuan para 2026
Preços atrativos, políticas industriais e projeções de lucros reforçam virada de humor, enquanto bancos e gestoras veem moeda mais forte
247 – Investidores estão intensificando as apostas em ações e na moeda da China no começo de 2026, sinalizando uma migração mais firme para ativos do país em meio ao aumento das incertezas globais. As informações são da Bloomberg, em reportagem publicada em 13 de janeiro de 2026.
De acordo com a apuração, grandes instituições financeiras e casas de análise — de Goldman Sachs a Bernstein Société Générale — elevaram sua avaliação sobre o mercado acionário da segunda maior economia do mundo, citando preços considerados atrativos, políticas de apoio a setores estratégicos e uma perspectiva mais favorável para resultados corporativos.
Rali duplo raro alimenta confiança nos ativos da China
A onda otimista ganhou força depois de a China ter registrado no ano passado uma alta simultânea de ações e moeda, combinação incomum que pode reforçar a confiança no mercado local. A reportagem aponta que a resiliência de partes relevantes da economia — com exportações em expansão, recuperação da atividade fabril e um sistema bancário estável — abriu espaço para que investidores voltem a olhar também para segmentos que ficaram para trás, como imóveis e ações de consumo.
Alta em Hong Kong e fortalecimento do yuan em 2025
Um índice importante de empresas chinesas listadas em Hong Kong avançou mais de 22% no ano passado, figurando entre os principais desempenhos globais. Já o yuan se fortaleceu mais de 4% frente ao dólar em 2025, registrando seu melhor ganho em cinco anos. Segundo a Bloomberg, foi a primeira vez desde 2017 que ações e moeda tiveram uma alta conjunta nesse padrão.
O movimento, ainda segundo a reportagem, continuou no começo de 2026: o yuan permaneceu acima do nível de 7 por dólar — patamar acompanhado de perto pelo mercado — e as ações negociadas no mercado doméstico subiram para o maior nível em quatro anos.
Diferença de preços entre China e EUA entra no radar
O texto destaca que o Hang Seng China Enterprises Index é negociado a cerca de 10,7 vezes o lucro projetado, enquanto o S&P 500 está em 22,3 vezes e o MSCI Asia Pacific em 15,3 vezes. A leitura por trás do dado é que, na comparação internacional, o mercado chinês aparece mais barato em relação ao lucro esperado pelas empresas, o que ajuda a explicar a reaproximação de investidores.
Na mesma linha, o Goldman Sachs elevou na semana passada seu alvo para o índice CSI 300 (referência das ações domésticas) para 5.200 pontos ao fim do ano, sugerindo potencial de alta de 9% em relação ao fechamento de terça-feira citado no texto. O banco também aumentou sua projeção de crescimento de lucros na China, esperando aceleração para 14% em 2026 e 2027, ante 4% em 2025, com base em fatores como monetização de inteligência artificial, estímulos de política econômica e abundância de liquidez.
“Um yuan mais firme pode ajudar as ações”, diz estrategista
A reportagem traz ainda a avaliação de Christy Tan, estrategista de investimentos do Franklin Templeton Institute: “Um yuan mais firme pode ajudar as ações ao melhorar os retornos baseados em dólar e o sentimento de risco”. Ela acrescenta: “Ao mesmo tempo, entradas reais em ações, impulsionadas por lucros e confiança, podem apoiar a moeda”.
Volume recorde indica entusiasmo, mas há ressalvas
Como sinal adicional do apetite por risco, a Bloomberg relata que o volume negociado nas ações domésticas chinesas alcançou o recorde de 3,65 trilhões de yuans (cerca de US$ 523 bilhões) numa terça-feira recente, bem acima da média diária de 1,13 trilhão de yuans dos últimos cinco anos.
Na visão de Wang Dan, diretor de investimentos da Shenzhen Sunrise Asset Management, “uma tendência de alta lenta nas ações continuará este ano”. Ele pondera que os fundamentos econômicos não sustentam um “grande mercado altista”, mas afirma que queda de juros, maior disposição para alocação e posicionamento de longo prazo em ativos subestimados favorecem a continuidade de uma alta estrutural.
Analistas citados na reportagem também veem potencial em áreas como saúde, cadeia de suprimentos de baterias e agronegócio. Ao mesmo tempo, permanecem preocupações com consumo fraco, pressões deflacionárias e a percepção de ausência de estímulos robustos.
Imóveis voltam ao debate: “o que ainda está subalocado”
A mudança de narrativa em direção à tecnologia e à inteligência artificial, por outro lado, pode estar levando investidores a reavaliar setores ainda deixados de lado. Ben Charoenwong, professor associado do Insead, afirma: “Se o consenso mudou para a inteligência artificial na China, a lógica contrária começa com o que ainda está subalocado”. Ele acrescenta: “Imóveis e crédito imobiliário estão no centro disso”.
Aposta no yuan ganha tração após quebra de patamar
O fortalecimento do yuan — impulsionado, segundo a Bloomberg, por avanços em tecnologia e por um ambiente de menor tensão comercial — ampliou o otimismo no fim de 2025, quando a moeda ultrapassou o patamar de 7 por dólar.
Economistas do Citigroup, liderados por Xiangrong Yu, escreveram que 2025 trouxe “uma mudança marcadamente positiva” na narrativa de investidores sobre a China e projetaram que o yuan pode passar por uma “valorização administrada”, chegando a 6,8 por dólar em seis a 12 meses. Projeções semelhantes aparecem na reportagem para Goldman Sachs e Bank of America, também em torno de 6,8, enquanto a BNP Paribas Asset Management prevê o dólar em uma faixa entre 6,5 e 6,8 neste ano. A Eurizon SLJ Capital mira 6,25 no fim de 2026.
A UBS, por sua vez, não espera valorização do yuan frente ao dólar em 2026, mas prevê fortalecimento da moeda chinesa em relação às moedas de importantes parceiros comerciais. O economista Ning Zhang, do UBS, disse em briefing citado pela Bloomberg: “Há espaço para o yuan ganhar no curto prazo para refletir exportações robustas e superávit comercial, especialmente depois que a moeda caiu no ano passado em uma base ponderada pelo comércio”.


