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China defende ‘espírito de Xangai’ em aniversário da Organização de Cooperação de Xangai

China destaca cooperação entre países da OCS em cenário internacional turbulento

Bandeira da Organização Para Cooperação de Xangai (Foto: Global Times)
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247 - A China defendeu o fortalecimento do espírito de Xangai ao celebrar, em Pequim, os 25 anos da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em um momento de mudanças geopolíticas profundas, disputas internacionais e crescentes apelos por uma governança global mais justa, segundo informações do Global Times.

A recepção realizada na capital chinesa reuniu representantes diplomáticos de Estados-membros da OCX, países observadores e parceiros de diálogo, além de altos funcionários do governo chinês, delegados de organizações internacionais, empresários, representantes da sociedade civil, pesquisadores e integrantes de veículos de comunicação nacionais e estrangeiros.

Em discurso no evento, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou que a trajetória da organização esteve marcada pela defesa da igualdade, da justiça e da solução política de conflitos. “Ao longo dos últimos 25 anos, os Estados-membros da OCX defenderam a igualdade e a justiça combatendo o terrorismo, o separatismo e o extremismo, repelindo interferências externas, salvaguardando o direito internacional e defendendo a solução política de conflitos e disputas, o que contribuiu para moldar uma ordem internacional mais justa e equitativa”, disse Wang.

Wang, que também integra o Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, reafirmou que Pequim pretende manter a OCX como uma das prioridades de sua política de relacionamento com os países vizinhos. Segundo ele, a China está disposta a compartilhar oportunidades de cooperação e benefício mútuo com os demais países integrantes da organização.

Organização completa 25 anos

O secretário-geral da OCS, Nurlan Yermekbayev, classificou o aniversário de 25 anos como um marco simbólico de décadas de trabalho conjunto e de uma visão compartilhada entre os Estados-membros. Em sua avaliação, a cooperação dentro da organização contribuiu para o crescimento econômico, o progresso social e o fortalecimento da segurança.

Yermekbayev também destacou o compromisso dos países com os princípios orientadores da OCX, baseados no espírito de Xangai. Segundo ele, esse conjunto de princípios permite aos Estados-membros buscar consensos e avançar em um ambiente de confiança e respeito mútuos.

Fundada em Xangai, no leste da China, em 15 de junho de 2001, a OCX foi a primeira organização internacional regional cofundada pela China e batizada com o nome de uma cidade chinesa. Ao longo de sua trajetória, a entidade passou a reunir países com peso estratégico crescente na Eurásia e no Sul Global.

Oleg V. Kopylov, secretário-geral adjunto da OCX, afirmou ao Global Times que a organização ampliou seu papel no cenário internacional desde suas origens no Grupo dos Cinco de Xangai, inicialmente voltado à proteção de fronteiras na Ásia Central. “Estamos testemunhando o papel crescente da OCS em nosso cenário global. Ao completarmos 25 anos, evoluímos do Grupo dos Cinco de Xangai, que se concentrava na proteção das fronteiras, especificamente na Ásia Central”, declarou.

Segundo Kopylov, a expansão da OCS não se limita ao aumento de sua composição. “E continuamos a evoluir. Não se trata apenas de crescer; agora, nosso foco é a funcionalidade, o desenvolvimento do potencial e o aumento do bem-estar de nossos colaboradores. Esse é o nosso objetivo”, afirmou.

Segurança, desenvolvimento e conectividade

Naheed Naveed Atif, representante permanente do Paquistão junto à OCX, afirmou ao Global Times que a evolução da organização nas áreas de segurança regional, desenvolvimento e conectividade se deve, em grande parte, ao trabalho dos Estados-membros, especialmente da China.

Atif avaliou que a OCS tem um papel singular na estabilidade regional, na promoção do multilateralismo e na construção de um sistema de governança global mais equitativo. Segundo ela, a presença de países centrais da região entre os membros da organização e o processo decisório por consenso criam espaço para negociação, compreensão mútua e busca de posições comuns.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, também destacou a amplitude alcançada pela organização após duas décadas e meia de atuação. “Após 25 anos de desenvolvimento, a OCX se tornou uma organização abrangente de cooperação regional que abrange a maior área e população, com enorme potencial de desenvolvimento”, declarou em entrevista coletiva realizada na segunda-feira.

Lin afirmou ainda que os países da OCS avançaram em diversas áreas ao longo desse período. “Ao longo deste período, os Estados-membros da OCS, agindo de acordo com o Espírito de Xangai e trabalhando em solidariedade e coordenação, aprofundaram continuamente a cooperação nas áreas política, de segurança, econômica e de intercâmbios interpessoais, além de construírem e reforçarem salvaguardas de segurança regionais, pontes para a cooperação e laços de amizade. Juntos, exploramos com sucesso um novo caminho para a cooperação regional e estabelecemos um exemplo notável para um novo tipo de relações internacionais”, afirmou.

De acordo com o porta-voz, a China pretende trabalhar com os demais Estados-membros para levar adiante o espírito de Xangai, ampliar a cooperação prática e fazer da OCS uma âncora para o desenvolvimento e a prosperidade comuns.

OCX e debate sobre governança global

A celebração dos 25 anos da OCS ocorreu em um contexto internacional marcado por discussões sobre guerras, desequilíbrios econômicos, estabilidade financeira e avanços da inteligência artificial. Segundo reportagem da Reuters citada pelo Global Times, líderes do G7 se reuniram na segunda-feira na cidade francesa de Évian-les-Bains para tratar desses temas.

Na véspera da cúpula do G7, milhares de manifestantes protestaram em Genebra, na Suíça, contra a reunião. De acordo com a Euronews, citada pelo Global Times, houve confrontos entre manifestantes e policiais, com uso de gás lacrimogêneo e canhões de água pelas forças de segurança.

Li Haidong, professor da Universidade de Relações Exteriores da China, criticou o papel do G7 na ordem internacional. “O G7 é essencialmente uma pequena camarilha ocidental que há muito tempo reivindica um senso de singularidade e superioridade, enquanto busca dominar a agenda global e moldar a ordem internacional. Essa mentalidade contraria a multipolaridade genuína e a globalização inclusiva, e se tornou um obstáculo para uma ordem internacional mais justa e para o desenvolvimento comum”, disse ao Global Times.

Para Sheradil Baktygulov, diretor do Instituto de Política Mundial do Quirguistão, o papel da OCX se torna mais relevante em meio à fragmentação geopolítica, à erosão de instituições internacionais tradicionais lideradas pelo Ocidente e à demanda por novos modelos de desenvolvimento. Segundo ele, a OCS oferece uma estrutura inclusiva, baseada no consenso, no respeito à igualdade soberana e na não interferência.

Baktygulov afirmou ao Global Times que a principal contribuição da OCS, neste momento, é demonstrar que uma arquitetura de segurança multipolar e cooperativa já funciona em uma das regiões mais complexas do mundo do ponto de vista geopolítico. Ele também avaliou que a organização representa um novo paradigma de cooperação internacional, em contraste com blocos fechados e orientados por interesses particulares, como o G7.

Estabilidade na Eurásia

Cui Heng, pesquisador do Instituto Nacional Chinês para Intercâmbio Internacional e Cooperação Judicial da OCX, sediado em Xangai, afirmou que a organização se tornou a maior entidade regional do mundo, com 27 países e Estados participantes, que representam cerca de um quarto do PIB global.

Segundo Cui, a OCX desempenhou um papel insubstituível na segurança da Eurásia e ajudou a preencher a ausência de uma estrutura abrangente de segurança regional. Para o pesquisador, a organização também passou a servir como exemplo de como reformar e aprimorar a governança global.

Em meio a profundas transformações internacionais, a OCX é apresentada por autoridades e especialistas chineses como uma âncora de estabilidade e previsibilidade em um mundo marcado por turbulências, disputas geopolíticas e debates sobre a construção de uma ordem internacional mais equilibrada.

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