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Diplomacia de alto nível leva relação China-Rússia a novo patamar, diz Global Times em editorial

Encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin resultou em acordos e reforçou a parceria estratégica entre China e Rússia

Presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping (Foto: 黄敬文 Xinhua)
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247 - O encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin em Pequim resultou em acordos e reforçou a parceria estratégica entre China e Rússia, com ênfase em confiança política, cooperação bilateral, intercâmbios educacionais e coordenação internacional. As informações são do Global Times.

Segundo editorial do Global Times, a reunião realizada na quarta-feira (20), no Grande Salão do Povo, marcou mais uma etapa no desenvolvimento das relações entre os dois países. O presidente chinês e o presidente russo concordaram em estender ainda mais o Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa China-Rússia.

Durante coletiva de imprensa conjunta após as conversas, Xi Jinping apresentou quatro dimensões para impulsionar uma fase de maior qualidade nas relações bilaterais. A primeira envolve a consolidação da confiança política mútua e o fortalecimento do apoio estratégico recíproco. A segunda trata da ampliação da cooperação mutuamente benéfica, com foco no desenvolvimento e na revitalização de cada país.

A terceira dimensão destacada por Xi diz respeito aos intercâmbios interpessoais, considerados fundamentais para fortalecer as bases de uma amizade duradoura entre os povos chinês e russo. A quarta aponta para uma coordenação internacional mais intensa, com o objetivo de reformar e aprimorar a governança global.

Acordos e declarações conjuntas

A visita produziu resultados relevantes, ressalta o editorial. Xi Jinping e Vladimir Putin assinaram uma declaração conjunta sobre o fortalecimento da coordenação estratégica abrangente e o aprofundamento da boa vizinhança e da cooperação amistosa entre China e Rússia. Os dois presidentes também acompanharam a conclusão de diversos documentos de cooperação bilateral.

Além disso, China e Rússia divulgaram uma declaração conjunta sobre a promoção de um mundo multipolar e de um novo tipo de relações internacionais. Os dois chefes de Estado participaram ainda da cerimônia de abertura dos Anos de Educação China-Rússia, iniciativa apresentada como parte do esforço de aproximação entre as sociedades dos dois países.

Para o Global Times, a concentração de atividades e resultados em um único dia demonstrou que a parceria estratégica abrangente de coordenação China-Rússia para uma nova era possui substância, alto nível de confiança mútua, base sólida e amplas perspectivas.

Relação bilateral em novo ponto de partida

O encontro ocorreu em um momento simbólico para os dois países. A reunião coincidiu com o 30º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica de coordenação China-Rússia, com o 25º aniversário da assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa China-Rússia e com o início dos Anos de Educação China-Rússia.

Na avaliação do editorial, o novo encontro presencial entre Xi e Putin injeta impulso político nas relações bilaterais e transmite ao cenário internacional uma mensagem de estabilidade, cooperação e benefício mútuo. O texto sustenta que os dois países tratam o desenvolvimento de suas relações como uma escolha estratégica de longo prazo, e não como uma aproximação circunstancial.

Xi Jinping afirmou: “Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e importantes potências mundiais, a China e a Rússia devem adotar uma perspectiva estratégica e de longo prazo, impulsionar o desenvolvimento e a revitalização dos nossos respectivos países através de uma coordenação estratégica abrangente de ainda maior qualidade e trabalhar para tornar o sistema de governança global mais justo e razoável.”

Defesa de multipolaridade e governança global

O editorial afirma que uma relação China-Rússia com visão estratégica representa, em primeiro lugar, uma salvaguarda mais forte para a paz e a estabilidade globais. O texto destaca a defesa do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e dos propósitos e princípios da Carta da ONU.

De acordo com a avaliação publicada pelo Global Times, China e Rússia atuam como forças relevantes na oposição à hegemonia, na promoção da multipolaridade e na estabilização da conjuntura internacional. O editorial também afirma que a coordenação entre os dois países fortalece as forças que defendem a equidade e a justiça internacionais.

A publicação ressalta ainda a cooperação em estruturas multilaterais como as Nações Unidas, a Organização de Cooperação de Xangai, o BRICS e o G20. Nesses fóruns, segundo o texto, China e Rússia buscam proteger conjuntamente os direitos e interesses legítimos de desenvolvimento dos países do Sul Global.

Ordem internacional e desafios atuais

O editorial também afirma que China e Rússia mantêm compromisso com a defesa da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial e com a autoridade do direito internacional. O texto critica formas de intimidação unilateral e ações que, segundo sua avaliação, tentam reverter o curso da história, negar os resultados da Segunda Guerra Mundial ou encobrir e reviver o fascismo e o militarismo.

Em um cenário internacional descrito como marcado por turbulência e incerteza, o Global Times afirma que a disposição de China e Rússia de adotar uma perspectiva estratégica e de longo prazo constitui uma contribuição à comunidade internacional.

O texto sustenta que essa postura reflete os princípios de “não aliança, não confronto e não visar terceiros”, além de igualdade, respeito mútuo, boa-fé e cooperação de benefício recíproco. Segundo o editorial, a relação China-Rússia transcende alianças militares e políticas tradicionais e funciona como modelo para interações entre grandes potências e países vizinhos.

Cooperação sem lógica de confronto

O Global Times afirma que a parceria estratégica abrangente de coordenação China-Rússia não busca criar confrontos, mas se opor à hegemonia. O editorial também sustenta que a relação não tem caráter exclusivo, mas defende o multilateralismo, e que não se baseia em uma rivalidade de soma zero, mas na promoção da segurança comum e do desenvolvimento compartilhado.

Segundo o texto, a relação entre os dois países entrou em uma nova etapa de “maiores conquistas e desenvolvimento mais acelerado”. Para o editorial, essa fase está alinhada à tendência global de paz, desenvolvimento, cooperação e benefício mútuo.

A publicação descreve China e Rússia como bons vizinhos, amigos que se apoiam em momentos de adversidade e parceiros que se ajudam a alcançar resultados. Em um novo ponto de partida histórico, o editorial afirma que as relações bilaterais continuarão a buscar firmeza estratégica diante das mudanças globais, ampliar o potencial da cooperação mutuamente benéfica e demonstrar responsabilidade em meio à transformação internacional.

O Global Times conclui que, ao avançarem juntos rumo a uma cooperação de maior qualidade, China e Rússia impulsionarão o crescimento e o rejuvenescimento nacional de ambos os países. A coordenação estratégica entre Pequim e Moscou no cenário internacional é apresentada pelo editorial como uma força de estabilização em um mundo turbulento e como contribuição para a equidade, a justiça internacional e a construção de uma governança global mais justa e razoável.

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