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China saudável se consolida como nova solução chinesa para a saúde pública

Artigo destaca expansão da cobertura médica, avanço tecnológico e reformas estruturais que transformaram o sistema de saúde chinês em referência

Programa de corridas integra a iniciativa China saudável (Foto: Global Times)

247 – A construção da chamada China saudável vem sendo apresentada como uma das mais ambiciosas experiências de transformação sanitária do século 21. Em artigo publicado pelo Global Times, um pesquisador da Escola de Ciências Farmacêuticas da Universidade Tsinghua sustenta que a China conseguiu estruturar um caminho próprio para a saúde pública, baseado em planejamento de longo prazo, fortalecimento institucional, expansão da cobertura médica e incorporação acelerada de novas tecnologias.

Segundo o Global Times, esse processo permitiu ao país não apenas criar o maior sistema de serviços de saúde do mundo, mas também consolidar uma ampla rede de prevenção e controle de doenças, além de um sistema de seguro médico que cobre mais de 95% da população. O artigo afirma ainda que a expectativa média de vida na China alcançou 79,25 anos, um resultado apresentado como fruto de reformas estruturais e de uma estratégia nacional voltada ao bem-estar coletivo.

O texto abre sua argumentação com um episódio relatado no início deste ano pelo jornal The New York Times, em reportagem intitulada “Na China, a inteligência artificial encontra câncer pancreático que médicos podem deixar passar”. A matéria descreveu a trajetória médica de um pedreiro aposentado de Ningbo, na província de Zhejiang, no leste da China. Com o apoio de tecnologia avançada, o hospital identificou o tumor do paciente em apenas três dias, a um custo de triagem de aproximadamente 25 dólares. Para o autor, a experiência desse paciente comum oferece um retrato vivo do avanço sistemático da China na construção de uma nação mais saudável.

A avaliação do artigo é a de que reformar e desenvolver sistemas de saúde continua sendo um desafio global. Embora países desenvolvidos disponham de estruturas tecnologicamente avançadas, muitos seguem presos ao que o autor chama de “triplo dilema”: longos tempos de espera, custos elevados e procedimentos excessivamente burocráticos. Em muitos países ocidentais, sustenta o texto, pacientes enfrentam meses de espera por exames como gastroscopia e demoras prolongadas para agendar cirurgias, enquanto contas médicas astronômicas continuam sendo uma realidade comum nos Estados Unidos.

O artigo acrescenta que, em algumas nações, a legislação da saúde permanece paralisada há décadas em impasses parlamentares, sem solução definitiva ou cercada de controvérsias. Diante desse cenário, o texto questiona como a China conseguiu construir sua própria rota de desenvolvimento saudável, sem ficar prisioneira da oscilação entre modelos excessivamente mercantilizados e sistemas orientados apenas pelo bem-estar social em sentido restrito.

A resposta apresentada está na capacidade chinesa de formular um modelo próprio, integrado e coordenado. Segundo o artigo, a lógica por trás desse resultado merece ser observada com atenção, porque revela como um grande país em desenvolvimento conseguiu avançar simultaneamente em cobertura, eficiência, controle de custos e ampliação do acesso.

Um dos exemplos centrais mencionados é o chamado modelo de Sanming, cidade da província de Fujian, no leste da China. Em 2025, a revista médica internacional The Lancet publicou um artigo com o título “O modelo de Sanming: reformando o sistema de saúde da China”. De acordo com o Global Times, sob a liderança do Partido Comunista da China, essa pequena cidade conseguiu controlar os custos da saúde sem sacrificar a qualidade dos serviços prestados à população.

Isso foi alcançado, segundo o texto, por meio do aumento da transparência no sistema de saúde, da reestruturação da cadeia de suprimentos farmacêuticos e da reforma no mecanismo de alocação do seguro médico. Como resultado, o fundo de seguro de saúde saiu de uma situação deficitária para um quadro de superávit. O artigo afirma que a experiência de Sanming deixou de ser um teste local para se converter em modelo nacional, implementado em cidades de nível prefectural em toda a China.

Para o autor, esse processo oferece também um exemplo concreto da chamada “solução chinesa” para a reforma global da saúde. A ideia central é que a construção de uma China saudável não pode ser reduzida a ajustes pontuais ou à simples ampliação do atendimento hospitalar. Trata-se, segundo o texto, de um empreendimento sistemático, que articula políticas públicas de forma ampla e contínua.

O artigo observa que a China elevou a prática de atividades físicas à condição de estratégia de Estado e incluiu a exigência de “implementar rigorosamente o sistema de responsabilidade pela segurança alimentar” no chamado Documento Central nº 1. Com isso, sustenta o autor, o país vem tecendo uma rede abrangente de proteção à saúde e ao bem-estar da população, baseada em uma abordagem holística e voltada para todas as etapas da vida.

Essa orientação busca garantir que os benefícios da China saudável alcancem cada cidadão. Por trás desse esforço, diz o artigo, está uma característica particular do sistema chinês: a capacidade de “concentrar recursos para realizar grandes empreendimentos”. Essa vantagem institucional teria permitido ao país romper barreiras entre departamentos e alcançar avanços coordenados nos serviços médicos, no seguro de saúde e no setor farmacêutico, superando uma divisão sistêmica que muitos países ainda têm dificuldade de enfrentar.

O texto também resgata a importância do Plano China Saudável 2030, lançado em 2016. Esse documento colocou a saúde da população no centro das políticas públicas e incorporou considerações sanitárias em todas as áreas de governo. Uma década depois, afirma o artigo, a China já conta com mais de 1,1 milhão de instituições de saúde, enquanto os serviços médicos básicos alcançam 1,4 bilhão de habitantes.

Outro dado destacado é a capilaridade territorial do sistema. Segundo o artigo, mais de 90% da população podem chegar à unidade médica mais próxima em até 15 minutos. Além disso, programas de assistência em grupo para formação de talentos médicos no Xizang e em Xinjiang, somados ao apoio direcionado de hospitais terciários a hospitais em nível distrital, permitiram que recursos médicos de alta qualidade chegassem a todas as regiões do país.

Na avaliação do autor, a iniciativa China saudável não é apenas inclusiva, mas também prospectiva e pioneira. Nos últimos anos, observa o texto, a mídia estrangeira passou a dar atenção crescente às inovações e aos avanços da China no campo médico, num reflexo da transição do país de seguidor para coprotagonista e, em alguns casos, até líder na área da saúde.

No plano tecnológico, o artigo afirma que a China já ocupa posição de destaque global em áreas como oncologia, medicina cardiovascular e neurocirurgia. Também ressalta que práticas da medicina tradicional chinesa, como acupuntura e massagem tuina, têm atraído pacientes internacionais em busca de terapias alternativas. No plano institucional, o texto aponta que uma cadeia abrangente de suprimentos médicos, a produção nacional de equipamentos médicos de alto nível e as políticas estatais de compra centralizada de medicamentos compõem a rede de segurança do sistema de saúde chinês.

O artigo recorre então a duas formulações centrais para resumir sua visão sobre o tema. A primeira afirma que “A saúde do povo é o principal indicador da modernização”. A segunda sustenta que “A saúde é o 1, e todo o resto é 0”. Para o autor, ao construir uma China saudável, colocar o povo em primeiro lugar constitui o valor fundamental, enquanto as vantagens institucionais representam o pilar central desse processo.

Em um grande país em desenvolvimento com mais de 1,4 bilhão de pessoas e com diferenças significativas entre áreas urbanas e rurais, bem como entre regiões, o texto defende que somente ao assegurar esse “1” — isto é, a cobertura universal de saúde — será possível dar significado real a todos os “0” que vêm depois.

O bem-estar da população, acrescenta o autor, está no centro da modernização chinesa. Olhando em retrospectiva a partir do ano de abertura do 15º Plano Quinquenal, a construção de uma China saudável aparece como um microcosmo desse processo mais amplo de modernização. Enquanto reformas sanitárias em alguns países continuam atoladas em disputas partidárias e interesses estabelecidos, a China, segundo o artigo, traçou um caminho de desenvolvimento intensivo baseado em práticas de reforma sistemáticas, integrais e coordenadas.

Essa trajetória enfatiza a prevenção como foco principal, integra prevenção e tratamento e estimula a participação de toda a sociedade. Ao mesmo tempo, o país preserva o legado dos “médicos descalços” e incorpora tecnologia moderna e inovação institucional. Na conclusão do texto, o autor sustenta que esse caminho beneficia o povo chinês e também oferece sabedoria chinesa para o aperfeiçoamento da governança global em saúde.

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