Embaixador chinês rebate acusações do Panamá e defende inspeções portuárias como legais
Xie Feng afirma que controles sobre navios que chegam à China seguem leis nacionais e convenções internacionais
247 – O embaixador da China nos Estados Unidos, Xie Feng, rejeitou as acusações feitas pelo Panamá contra as inspeções de controle portuário realizadas por autoridades chinesas em embarcações que chegam ao país. Segundo ele, as medidas são legais, seguem as normas chinesas e convenções internacionais, e não têm como alvo nenhum país ou bandeira específica.
As declarações foram feitas na terça-feira (23), durante o Diálogo com Observadores Permanentes da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizado no Panamá, de acordo com informações publicadas pelo Global Times e pelo site da Embaixada da China nos Estados Unidos.
Xie Feng afirmou que a China, como grande potência marítima e importante país do setor de navegação, atribui grande importância à segurança do tráfego marítimo e à proteção da vida humana no mar. O diplomata disse que as inspeções foram adotadas diante de uma série de acidentes envolvendo embarcações com bandeira panamenha em águas chinesas desde o início de 2026.
Segundo o embaixador, navios registrados no Panamá estiveram envolvidos em colisões consecutivas com embarcações mercantes ou pesqueiras em águas chinesas, resultando em mortos e desaparecidos. Nesse contexto, afirmou Xie, a China passou a realizar controles portuários sobre embarcações que chegam ao país “por responsabilidade com a segurança marítima, incluindo a segurança dos navios e, especialmente, das pessoas”.
O diplomata destacou que as inspeções de controle do Estado do porto foram conduzidas “de acordo com as leis chinesas e convenções internacionais”, reforçando que tais procedimentos “não têm como alvo nenhum país ou bandeira específica” e são “plenamente legítimos”.
Pequim cobra correção de postura do Panamá
Durante o encontro, Xie Feng pediu que o lado panamenho corrija o que classificou como erros e proteja os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas. A fala ocorre em meio a tensões envolvendo operações portuárias ligadas ao Canal do Panamá e a presença de companhias chinesas na infraestrutura estratégica do país.
O embaixador lembrou que, desde a concessão obtida em 1997, a empresa chinesa responsável operou os portos nas duas extremidades do Canal do Panamá de acordo com a lei e contribuiu positivamente para o desenvolvimento econômico local.
Segundo Xie, ao longo de quase três décadas de cooperação, a relação entre as partes transcorreu de forma estável, sem grandes divergências e sem reclamações relevantes contra a empresa chinesa. Ele criticou, no entanto, a decisão tomada pela Suprema Corte do Panamá em janeiro deste ano, que, segundo o diplomata, resultou na tomada forçada dos portos e na expulsão da companhia chinesa da operação.
Embaixador vê motivação política em decisão panamenha
Xie Feng afirmou que a medida adotada no Panamá tem motivação política e questionou os impactos da decisão sobre a segurança jurídica e a confiança de investidores internacionais.
“Anyone clear-eyed can see this is politically driven. If contracts could be disregarded, market principles ignored, assets taken over and operators forced out at any time, who would have the confidence to invest and seek cooperation?”, declarou o embaixador.
Em tradução livre, Xie afirmou que qualquer pessoa com clareza perceberia que a decisão foi politicamente motivada. Ele questionou quem teria confiança para investir e buscar cooperação em um ambiente no qual contratos pudessem ser desconsiderados, princípios de mercado ignorados, ativos tomados e operadores expulsos a qualquer momento.
A declaração reforça a posição chinesa de que as medidas panamenhas contra a empresa ligada aos portos do Canal do Panamá violam a previsibilidade jurídica e podem afetar a confiança de empresas estrangeiras em projetos de infraestrutura no país.
Controle portuário e disputa por infraestrutura estratégica
As inspeções portuárias defendidas por Xie Feng são apresentadas por Pequim como procedimentos técnicos de segurança marítima. O controle do Estado do porto é um mecanismo utilizado por países para verificar se embarcações estrangeiras cumprem requisitos de segurança, proteção ambiental e condições de navegação previstos em normas nacionais e tratados internacionais.
No caso citado pelo diplomata chinês, a China argumenta que a adoção de inspeções mais rigorosas decorre de acidentes envolvendo navios de bandeira panamenha em águas chinesas, e não de retaliação política ou econômica contra o Panamá.
Ao mesmo tempo, o episódio se insere em uma disputa mais ampla envolvendo infraestrutura portuária, interesses geopolíticos e o papel de empresas chinesas em pontos estratégicos do comércio global. O Canal do Panamá é uma das principais rotas marítimas do mundo, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico e desempenhando papel central no fluxo internacional de mercadorias.
A fala de Xie Feng sinaliza que Pequim pretende manter a defesa pública de suas empresas no exterior e contestar medidas que considere discriminatórias ou politicamente motivadas. Para a China, a preservação de contratos, a segurança jurídica e o respeito às regras de mercado são elementos essenciais para a continuidade da cooperação internacional em infraestrutura.
China rejeita acusações e defende legalidade
Ao responder às acusações panamenhas, o embaixador chinês buscou separar dois temas: de um lado, as inspeções portuárias conduzidas em território chinês, que Pequim classifica como legais e voltadas à segurança marítima; de outro, a decisão do Panamá sobre os portos operados por uma empresa chinesa, vista por Xie como uma ruptura de contratos e princípios de mercado.
A posição apresentada no encontro da OEA reforça a narrativa chinesa de que suas ações no setor marítimo estão amparadas por normas legais e por preocupações de segurança, enquanto medidas contra empresas chinesas no exterior seriam influenciadas por pressões políticas.
Para Xie Feng, a controvérsia exige que o Panamá reveja sua postura e assegure a proteção dos direitos e interesses legítimos das companhias chinesas que atuam no país.




