Cuba denuncia pressão dos EUA e reafirma defesa da paz
Em reunião caribenha, Cuba alerta para riscos de agressão militar
247 - Cuba denunciou a pressão dos EUA em reunião da Associação dos Estados do Caribe (AEC), realizada no Panamá, e alertou para os riscos de uma eventual agressão militar contra a ilha, especialmente para os países caribenhos. As informações são da teleSUR.
A posição foi apresentada pela delegação cubana durante a XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da AEC. Segundo a teleSUR, Cuba reafirmou no encontro seu compromisso com o desenvolvimento sustentável da região e com a defesa da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz.
A delegação foi chefiada por Ileana Núñez Mordoche, diretora-geral para a América Latina e o Caribe do Ministério das Relações Exteriores de Cuba. Ela afirmou que o país enfrenta uma ameaça de agressão militar em meio ao endurecimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos.
De acordo com Núñez Mordoche, o bloqueio energético e a política de punição coletiva têm como objetivo provocar uma crise humanitária e estimular instabilidade social em Cuba. A diplomata também apontou que essas medidas afetam a soberania de terceiros países, ao pressionar outros Estados a aderirem à ofensiva econômica contra a ilha.
A representante cubana sustentou ainda que as ações de Washington violam normas do comércio internacional e enfraquecem o multilateralismo. Para Cuba, a tentativa de impor sanções e restrições extraterritoriais amplia os impactos do bloqueio para além das relações bilaterais entre Havana e Washington.
Núñez Mordoche advertiu que uma agressão militar contra Cuba teria consequências imprevisíveis para toda a região, em particular para as nações do Caribe. Diante desse cenário, ela defendeu que a unidade, a solidariedade e a cooperação entre os países da AEC são essenciais para enfrentar desafios comuns.
A diplomata reiterou o compromisso de Cuba com os princípios fundadores da Associação dos Estados do Caribe e defendeu uma atuação conjunta em favor de um futuro pacífico e próspero para os povos do Grande Caribe.
O encontro também marcou a transferência da presidência pro tempore da AEC para a Nicarágua, que ocupará o cargo no biênio 2026-2027.
Cuba enfrenta, desde 29 de janeiro, um novo endurecimento das medidas dos Estados Unidos contra a ilha. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que ameaça impor tarifas sobre produtos de países fornecedores de petróleo a Cuba.
A medida agravou a escassez de combustível no país e afetou diretamente serviços essenciais à população cubana. O bloqueio foi posteriormente reforçado com a inclusão da estatal Unión Cuba-Petróleo (Cupet) na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
A inclusão da Cupet ocorreu por meio do Decreto Executivo 14404, expedido em 1º de maio. Para as autoridades cubanas, a medida integra uma estratégia de pressão máxima contra o país.
Washington fabricou acusações contra Raúl Castro, general do Exército e líder histórico cubano, em um novo capítulo da ofensiva política contra Havana. Para Cuba, as pressões econômicas, diplomáticas e militares fazem parte de uma tentativa de promover mudança de regime na ilha.
As autoridades cubanas afirmam que as ameaças de agressão militar, caso concretizadas, poderiam resultar em graves consequências para Cuba e para o Caribe. A posição apresentada por Havana na AEC reforça a defesa da cooperação regional como caminho para preservar a paz, a estabilidade e a soberania dos povos latino-americanos e caribenhos.



