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Visita de Merz reforça papel da relação entre China e União Europeia como “âncora estabilizadora”

Editorial do Global Times destaca viagem do chanceler alemão a Pequim como passo estratégico para fortalecer laços econômicos e políticos entre China e UE

Merz desembarca em Pequim (Foto: Xinhua )

247 - O chanceler alemão Friedrich Merz inicia nesta quarta-feira (25) sua primeira visita oficial à China desde que assumiu o cargo, em maio do ano passado. A agenda, que se estende até o dia seguinte, mobiliza forte atenção política e empresarial na Alemanha, em meio a um cenário internacional marcado por tensões comerciais e reconfiguração de alianças globais.

A avaliação é do jornal chinês Global Times, que em editorial classificou a viagem como uma demonstração do papel da relação entre China e União Europeia como “âncora estabilizadora” em tempos de incerteza internacional. O texto ressalta que a visita é considerada “há muito esperada” por veículos de imprensa alemães e ocorre após sucessivos adiamentos.

Segundo a programação divulgada pelo governo alemão, a agenda será intensa. Aproximadamente 30 executivos de grandes empresas acompanham Merz, entre elas Mercedes-Benz, BMW, Volkswagen, Bayer, Siemens e Adidas. De acordo com relatos da imprensa alemã citados pelo editorial, “Merz nunca se preparou para uma viagem com tanta meticulosidade”. O interesse empresarial teria superado amplamente o número de vagas disponíveis na comitiva.

A delegação é apontada como a maior a acompanhar um chanceler alemão em viagem oficial desde a era de Angela Merkel, sinalizando o peso econômico da relação bilateral. Nos últimos anos, debates na Alemanha em torno de termos como “rival sistêmico” e “redução de riscos” influenciaram a política externa em relação à China. Ainda assim, o editorial sustenta que o engajamento da comunidade empresarial alemã revela pragmatismo diante dos interesses econômicos concretos.

Dados recentes do Escritório Federal de Estatística da Alemanha indicam que o comércio bilateral entre os dois países alcançou 251,8 bilhões de euros (cerca de US$ 296,6 bilhões) em 2025, crescimento de 2,1% em comparação com o ano anterior. Com isso, a China voltou a ultrapassar os Estados Unidos e se consolidou como o principal parceiro comercial da Alemanha. O volume anual de trocas entre os dois países tem superado US$ 200 bilhões de forma consistente, enquanto o estoque de investimentos bilaterais já ultrapassa US$ 65 bilhões — quase um quarto do total entre China e União Europeia.

No debate interno alemão, também surgem manifestações favoráveis a uma abordagem mais pragmática. Uma pesquisa recente da Câmara de Comércio Alemã na China apontou que 64% dos entrevistados esperam que o governo melhore a imagem da China no país europeu. Um alto funcionário da Câmara Alemã de Indústria e Comércio descreveu a China como um “parceiro econômico confiável” e afirmou que “dado o comportamento errático do presidente americano Donald Trump, a China é atualmente um parceiro mais previsível”.

Acadêmicos alemães mencionados pelo editorial argumentam que a chamada estratégia de “redução de riscos” teria produzido resultados limitados, defendendo o abandono da classificação de “rival sistêmico” e a ampliação da cooperação em áreas de interesse comum.

O texto também contextualiza a viagem em um ambiente global de transformações profundas. O unilateralismo e o protecionismo praticados pelos Estados Unidos teriam levado países europeus a reavaliar suas relações externas. Ainda assim, o editorial sustenta que as relações entre China e Alemanha — e entre China e Europa de forma mais ampla — devem ser analisadas para além do fator norte-americano.

A China é descrita como a segunda maior economia do mundo e defensora do livre comércio e do multilateralismo, com iniciativas voltadas ao fortalecimento do sistema internacional centrado nas Nações Unidas. Nesse contexto, a cooperação sino-alemã é apresentada como elemento relevante para a construção de um sistema de governança global mais equilibrado.

A visita ocorre no início do 15º Plano Quinquenal chinês, período em que o país está impulsionando desenvolvimento de alta qualidade e ampliando sua abertura econômica. A agenda de Merz inclui uma viagem a Hangzhou para visitar empresas chinesas de robótica, movimento interpretado como oportunidade para aprofundar o entendimento sobre a dinâmica tecnológica do país asiático.

Para o Global Times, o diálogo e o engajamento contínuos são essenciais para uma compreensão mais ampla da China contemporânea. O editorial sustenta que a viagem do chanceler representa não apenas um sinal de retomada nas relações sino-alemãs, mas também um passo relevante para recalibrar os laços entre China e União Europeia diante de um cenário internacional em transformação.

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