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Premiê alemão anuncia busca por parcerias estratégicas com a China diante de tarifas de Trump

Friedrich Merz afirma que defesa comercial e cooperação global exigem nova articulação frente às tarifas dos Estados Unidos

O chanceler alemão Friedrich Merz participa da 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça, em 22 de janeiro de 2026. REUTERS/Denis Balibouse (Foto: Denis Balibouse)

247 - O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que iniciará na próxima semana uma viagem à China com o objetivo de fortalecer “parcerias estratégicas” com o governo chinês, em meio a tensões comerciais crescentes com os Estados Unidos.

A declaração de Merz foi feita em um evento do seu partido na Baviera (Alemanha), onde ele também abordou o impacto da política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem aplicado tarifas adicionais sobre produtos europeus, incluindo os da União Europeia (UE). “Temos um interesse estratégico em encontrar parceiros no mundo que pensem como nós, que ajam como nós e que, acima de tudo, estejam dispostos a moldar o futuro juntos para que continuemos sendo um país com prosperidade e alto nível de proteção social”, declarou o chefe do governo alemão.

Merz enfatizou que “a política externa e política econômica não podem mais ser separadas”, sugerindo que os laços econômicos com potências como a China fazem parte de uma estratégia mais ampla diante de mudanças no cenário global. Sobre as tarifas americanas, disse que “se os americanos acreditam que, com sua política tarifária, devem exercer influência ao redor do mundo — se acreditam que tarifas são mais importantes do que impostos domésticos — isso é algo que, naturalmente, os americanos podem decidir por si mesmos. Mas não é a nossa política”.

Ao comentar diretamente a ofensiva tarifária de Trump, Merz afirmou que as medidas estão colocando sob pressão as relações entre aliados tradicionais, como Alemanha e Estados Unidos, e representam um risco adicional para uma economia alemã que já enfrenta desafios. “Vocês podem fazer isso, mas nós não vamos acompanhar”, declarou ele sobre o uso de tarifas. “E, se exagerarem, nós, europeus, certamente somos capazes de nos defender”, complementou.

O primeiro-ministro também mencionou episódios recentes de coordenação europeia, citando o caso envolvendo a Groenlândia, em que países da UE não recuaram diante das ameaças tarifárias americanas relacionadas a desacordos sobre planos de anexação da região. Merz ressaltou que esse episódio demonstra a capacidade de ação conjunta: “Essa é a nossa estratégia dupla: uma mão estendida e, a qualquer momento, uma parceria renovada — mas também coesão e unidade suficientes dentro da União Europeia para que possamos nos defender adequadamente contra aquilo que não queremos”.

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