Marco Rubio ataca ONU na Conferência de Segurança de Munique
Líderes globais intensificam debates na conferência de Munique
247 - A Conferência de Segurança de Munique chega ao seu segundo dia reunindo chefes de Estado, diplomatas e autoridades militares em meio a um cenário internacional marcado por guerras, tensões diplomáticas e incertezas estratégicas.
O encontro, que ocorre na Alemanha, concentra discussões sobre a relação transatlântica, a defesa europeia e conflitos em curso em diferentes regiões do mundo, informa a Al Jazeera.
Rubio critica atuação da ONU e defende reformas
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a Organização das Nações Unidas teve “praticamente nenhum papel” na resolução de conflitos recentes e defendeu mudanças nas instituições globais.
“A Organização das Nações Unidas ainda tem um enorme potencial para ser uma ferramenta para o bem no mundo”, declarou durante sua participação na conferência. No entanto, acrescentou: “Mas não podemos ignorar que, hoje, nas questões mais urgentes diante de nós, ela não tem respostas e desempenhou praticamente nenhum papel. Não conseguiu resolver a guerra em Gaza”.
Rubio também afirmou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende corrigir erros cometidos por líderes mundiais no passado. Segundo ele, Washington está disposto a agir de forma independente, embora prefira contar com o apoio europeu.
“Os Estados Unidos e a Europa pertencem um ao outro”, disse. “Somos parte de uma mesma civilização, a civilização ocidental. Estamos unidos pelos laços mais profundos que as nações podem compartilhar, forjados por séculos de história compartilhada, fé cristã, cultura, herança, idioma, ancestralidade e pelos sacrifícios que nossos antepassados fizeram juntos”.
Relação transatlântica e conflitos globais dominam a agenda
Entre os principais temas da conferência deste ano estão o desgaste nas relações entre Europa e Estados Unidos e a capacidade europeia de se defender em uma ordem mundial em transformação. Conflitos na Ucrânia, Irã, Sudão e Gaza também estão no centro das discussões, assim como o chamado “Conselho de Paz” mencionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A situação da Venezuela também deve ser abordada, após p sequestro do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro.
Neste sábado, estão previstos discursos de Marco Rubio e do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Também participam o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer; o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.
Rubio e Wang farão intervenções separadas sobre o papel de seus países no cenário internacional. Zelensky e Rutte participam de um painel sobre a perspectiva de garantir apoio internacional de longo prazo à Ucrânia. Já Starmer e von der Leyen discutem formas de exercer poder “em um mundo em desordem”.
Os líderes da Dinamarca, Finlândia e Espanha debatem medidas para reforçar a segurança transnacional, enquanto a opositora venezuelana e laureada com o Nobel Maria Corina Machado deve abordar a situação atual em seu país.
Dissuasão nuclear
Na sexta-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz informou que a Alemanha iniciou conversas com a França sobre um mecanismo europeu de dissuasão nuclear. Ele afirmou que a região precisa se fortalecer para redefinir sua relação com os Estados Unidos.
O presidente francês Emmanuel Macron defendeu que a Europa adote uma visão estratégica de longo prazo, incluindo o desenvolvimento de capacidades de ataque de longo alcance e a avaliação do papel do arsenal nuclear francês na futura arquitetura de segurança do bloco.
À margem do encontro, Wang Yi declarou a autoridades francesas e alemãs que Pequim não é responsável pelos problemas econômicos e de segurança enfrentados pela Europa. Já Rafael Grossi, diretor da agência nuclear da ONU, afirmou que alcançar um acordo com o Irã sobre inspeções em suas instalações de processamento é possível, mas “terrivelmente difícil”.
Com a presença de líderes de diversas regiões e temas sensíveis na pauta, a Conferência de Segurança de Munique consolida-se como um dos principais fóruns globais para debates sobre segurança internacional e geopolítica contemporânea.