Alemanha pede união para “reparar e revitalizar” laços transatlânticos
Chanceler Friedrich Merz defende nova parceria entre EUA e Europa na segurança de Munique e ressalta importância da OTAN
247 - O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou, em discurso na Conferência de Segurança de Munique, que os Estados Unidos e a Europa precisam “reparar e revitalizar juntos a confiança transatlântica”, em um apelo direto à cooperação entre os aliados. A informação é da Al Jazeera, que cobre o evento anual que reúne líderes globais de segurança em Munique, Alemanha.
Segundo a Al Jazeera, Merz iniciou sua fala destacando a necessidade de união transatlântica e argumentando que Washington também se beneficia do papel desempenhado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na segurança global. A crise de confiança entre os lados, afirmou o chanceler, exige uma resposta conjunta.
Merz citou abertamente declarações feitas há um ano pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, sobre as tensões com líderes europeus. “Deixe-me começar com a verdade incômoda: uma ruptura, uma profunda divisão, se abriu entre a Europa e os Estados Unidos”, disse o chanceler. “O vice-presidente JD Vance disse isso há um ano aqui em Munique. Ele estava certo em sua descrição”, reforçou Merz, ao defender a construção de “uma nova parceria transatlântica”.
O chanceler também mencionou o movimento Make America Great Again (MAGA), liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfatizando que “a guerra cultural do movimento MAGA não é nossa”, ao afirmar que a Europa não precisa seguir essa direção política.
Fazendo um apelo explícito à administração do presidente Trump, Merz argumentou que, “na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão poderosos o suficiente para agir sozinhos”. “Fazer parte da OTAN não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa. É também uma vantagem competitiva para os Estados Unidos. Portanto, vamos reparar e revitalizar juntos a confiança transatlântica. A Europa está fazendo a sua parte”, declarou.
A receptividade em Washington ainda é incerta, especialmente após um ano marcado por políticas de confronto que abalaram parceiros tradicionais. As discussões incluíram maior pressão por financiamento à OTAN, tentativas de encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia e polêmicas como as ameaças do presidente Trump de adquirir a Groenlândia, território autônomo dinamarquês e membro indireto da aliança.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou ao chegar à Alemanha que os Estados Unidos estão “muito ligados à Europa”, ressaltando que grande parte da população norte-americana tem herança cultural ou pessoal europeia. “Vivemos em uma nova era na geopolítica, e isso exigirá que todos nós reexaminemos como ela se apresenta”, disse Rubio, que também participaria da conferência.
No contexto político interno dos EUA, pesquisas recentes indicam queda no apoio a políticas do presidente Trump, tanto em temas domésticos quanto na atuação internacional, como sua abordagem sobre a Groenlândia. Uma sondagem divulgada na sexta-feira sugeriu que sete em cada dez adultos norte-americanos desaprovam a maneira como Trump está lidando com essa questão.
Durante a conferência, Merz também tratou de discussões sobre “dissuasão nuclear europeia” em conversas com o presidente francês Emmanuel Macron. O tema ganhou relevância frente a mudanças estratégicas na relação transatlântica. Atualmente, sob o acordo vigente da OTAN, armas nucleares americanas estacionadas na Europa podem ser utilizadas por aliados em emergências — com estoques acreditados em países como Itália, Bélgica, Holanda e Alemanha.
Embora a Alemanha tenha renunciado à fabricação e posse de armas nucleares, biológicas e químicas após a reunificação em 1990, Merz afirmou que qualquer nova política estaria em conformidade com os compromissos legais de Berlim. Com a saída do Reino Unido da União Europeia em 2020, a França permanece como o único Estado do bloco a deter arsenal nuclear próprio, colocando-se no centro dos debates sobre segurança europeia.


