Alemanha descarta boicote à Copa de 2026 nos EUA
Governo afirma que divergências com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem ser tratadas no campo político e não no esporte
247 - O governo da Alemanha recuou oficialmente da possibilidade de boicotar a Copa do Mundo de 2026, que terá como uma de suas sedes os Estados Unidos, e afirmou que o torneio não deve ser utilizado como instrumento de pressão política. A posição foi anunciada nesta quarta-feira (4), após semanas de especulações motivadas por tensões diplomáticas entre Berlim e Washington.
Autoridades alemãs reforçaram que o esporte deve permanecer separado de disputas políticas, mesmo diante de discordâncias com medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A avaliação marca uma mudança de tom em relação a declarações feitas no início do ano, quando a hipótese de boicote chegou a ser mencionada publicamente.
O porta-voz do governo alemão, Steffen Meyer, foi direto ao comentar o tema. “Os conflitos políticos devem ser travados no campo político e o esporte deve permanecer esporte”, afirmou, ao afastar a ideia de que a ausência da seleção alemã seria um caminho adequado para expressar críticas às políticas norte-americanas.
Na mesma linha, a ministra dos Esportes da Alemanha, Christiane Schenderlein, disse que Berlim não endossa qualquer iniciativa de boicote. “O esporte não deve ser usado para fins políticos”, declarou. Ela também ressaltou que o Mundial de 2026 não será realizado exclusivamente em território americano, já que Canadá e México também sediarão partidas entre 11 de junho e 19 de julho.
A Alemanha é tetracampeã mundial e participa de todas as edições da Copa desde 1954, o que reforça o peso simbólico de qualquer debate sobre sua eventual ausência. Ainda assim, em janeiro, no auge das tensões entre a Europa e Washington — envolvendo a intenção declarada de Donald Trump de anexar a Groenlândia e impor tarifas adicionais a países europeus — a própria Schenderlein havia admitido que um boicote não estava totalmente descartado.
Na ocasião, a ministra ponderou que “o governo federal respeita a autonomia do esporte” e que a presença da seleção alemã em competições internacionais é “responsabilidade exclusiva das federações esportivas competentes, e não do mundo político”.
Os apelos por um boicote à Copa de 2026 surgiram inicialmente por causa da crise diplomática relacionada à Groenlândia e ganharam novo fôlego após críticas às políticas anti-imigração do governo dos Estados Unidos. O tema voltou ao debate depois de ações da polícia de imigração em Minneapolis, que resultaram na morte de dois manifestantes por agentes federais.
No fim de janeiro, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter reforçou um apelo para que as pessoas “evitassem os Estados Unidos”. Já nesta quarta-feira (4), parlamentares europeus de esquerda encaminharam uma carta à Uefa solicitando a análise de possíveis sanções, incluindo um boicote, em razão das “medidas políticas” e da “retórica” de Donald Trump.
A cúpula do futebol internacional, porém, tem se posicionado contra esse tipo de iniciativa. Na segunda-feira (3), o presidente da Fifa, Gianni Infantino, criticou abertamente os boicotes. Para ele, esse tipo de ação “simplesmente contribui para mais ódio”, reforçando a defesa de que o futebol não deve ser palco de disputas geopolíticas.


