Macron propõe cooperação nuclear inédita com a Alemanha
Macron anuncia diálogo estratégico com Berlim para reformular a dissuasão nuclear e integrar defesa europeia
247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que Paris pretende cooperar com Berlim no campo da dissuasão nuclear, em um movimento inédito na história das relações entre os dois países. A declaração foi feita à margem da Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, e marca uma nova etapa no debate sobre a arquitetura de defesa europeia.
A informação foi divulgada pela agência russa TASS nesta sexta-feira (13), diretamente de Munique. Segundo a agência, Macron destacou que a França está engajada em um diálogo estratégico com o novo chanceler alemão, Friedrich Merz, e com outros líderes europeus.
Ao abordar o tema, o presidente francês afirmou que “temos que reformular a dissuasão nuclear”. Ele explicou que as conversas buscam alinhar a doutrina francesa — que, segundo ele, é garantida e controlada pela Constituição — com mecanismos de cooperação mais amplos. “Estamos em diálogo estratégico, obviamente com o chanceler [alemão] [Friedrich] Merz e com alguns líderes europeus, a fim de ver como podemos articular nossa doutrina nacional, que é garantida e controlada pela Constituição, com cooperação específica, exercícios conjuntos e interesses de segurança”, declarou.
Macron ressaltou o caráter histórico da iniciativa ao afirmar que “é exatamente isso que estamos fazendo, pela primeira vez na história com a Alemanha”. Para ele, a abertura desse canal de negociação representa um avanço significativo na integração das políticas de defesa no continente. “Este diálogo é importante por si só, mas é importante porque representa uma forma de articular a dissuasão nuclear numa abordagem holística à defesa e à segurança”, acrescentou.
O debate sobre o papel da França na proteção estratégica da Europa não é recente. Em 2020, Macron informou que o arsenal nuclear francês contava com menos de 300 ogivas. Já em março de 2025, o presidente prometeu iniciar discussões com aliados europeus sobre a possibilidade de incluir outros países sob o chamado guarda-chuva nuclear francês.
Naquele momento, Alemanha, Dinamarca, Lituânia e Polônia sinalizaram disposição para participar das conversas. O tema ganhou ainda mais relevância após o jornal britânico Financial Times noticiar que aliados dos Estados Unidos na Europa e na Ásia estariam avaliando a criação de seus próprios escudos nucleares. A análise ocorre em meio à atual política externa americana de reaproximação com a Rússia, o que tem provocado reflexões sobre autonomia estratégica e garantias de segurança no cenário internacional.


