Macron reúne líderes da Dinamarca e Groenlândia em Paris
Encontro ocorre em meio a pressões do governo dos Estados Unidos sobre o território groenlandês
247 - O presidente da França, Emmanuel Macron, recebeu nesta quarta-feira (28), no Palácio do Eliseu, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen. O encontro foi voltado ao fortalecimento da cooperação europeia diante das recentes ameaças e pressões do governo dos Estados Unidos sobre o território autônomo dinamarquês. As informações são da RFI.
Ao lado dos dois líderes, Macron afirmou que o impasse envolvendo a Groenlândia representa "um alerta estratégico para toda a Europa". Segundo o presidente francês, a resposta do continente deve se concentrar "na afirmação da nossa soberania europeia, na nossa contribuição para a segurança do Ártico, no combate à interferência estrangeira e à desinformação e na luta contra as mudanças climáticas".
Compromisso com a soberania dinamarquesa
O mandatário da França reiterou o compromisso do país com a soberania e a integridade territorial da Dinamarca. "A França continuará a defender esses princípios, de acordo com a Carta das Nações Unidas", declarou, acrescentando apoio a um maior engajamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região do Ártico.
A reunião no Eliseu ocorreu um dia após Frederiksen e Nielsen se encontrarem, em Berlim, com o chanceler alemão Friedrich Merz, em uma sequência de iniciativas diplomáticas europeias em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na semana passada, Trump havia ameaçado tomar a Groenlândia à força, se necessário, e, embora tenha suavizado o tom posteriormente, manteve a intenção de controlar o território.
Ameaças tarifárias aos países europeus
O presidente dos EUA também ameaçou impor tarifas mais altas a países europeus, entre eles França, Alemanha e Reino Unido, que se opõem à sua posição e participaram de uma missão de reconhecimento militar na Groenlândia em meados de janeiro.
Durante o encontro em Paris, Mette Frederiksen agradeceu o apoio francês e elogiou a atuação do país no Ártico. "Obrigada pelo seu firme apoio, obrigada por defender os valores fundamentais que compartilhamos e dos quais não podemos abrir mão", disse. A premiê defendeu ainda que "a Otan deveria desempenhar um papel muito mais significativo na região do Ártico e no Alto Norte, incluindo a Groenlândia e seus arredores".
Posição da Groenlândia
Jens-Frederik Nielsen também manifestou reconhecimento à França. "Vocês estiveram ao nosso lado numa situação extremamente difícil... Na Groenlândia, não nos esqueceremos", afirmou. O primeiro-ministro ressaltou a necessidade de reforçar a segurança no Ártico diante do que chamou de um suposto comportamento agressivo da Rússia, mas alertou que há "limites que não podem ser ultrapassados nas negociações com os Estados Unidos". A Rússia rejeita as acusações de que, junto com a China, represente uma ameaça à Groenlândia.
Mais cedo, ao participar de uma conferência no Instituto de Estudos Políticos de Paris, ao lado de Frederiksen, Nielsen declarou que a Groenlândia estava "sob intensa pressão" e que sua população "temia" ambições externas sobre o território. "Precisamos fazer mais em termos de vigilância e segurança em nossa região, por causa da maneira como a Rússia está se comportando agora", afirmou.
Busca de solução para a crise
Discussões entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia estão previstas para buscar uma saída para a crise. Para Frederiksen, o episódio demonstrou a capacidade de alinhamento europeu frente às ameaças do governo Trump.
"Acho que a Europa aprendeu algumas lições nas últimas semanas", disse à imprensa em Paris. "O melhor caminho para os Estados Unidos e a Europa é permanecerem unidos", acrescentou.


