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Xiaomi nega negociações com a Ford para parceria em veículos elétricos nos EUA

Empresa chinesa afirma que não vende produtos nem serviços no mercado norte-americano e desmente reportagem sobre possível joint venture

Logo da Xiaomi em veículo SU7 em loja de Pequim, na China - 25/03/2024 (Foto: REUTERS/Tingshu Wang)

247 - A fabricante chinesa de tecnologia e veículos elétricos Xiaomi negou ter mantido conversas com a montadora norte-americana Ford Motor para a criação de uma parceria ou joint venture voltada à produção de veículos elétricos nos Estados Unidos. A empresa afirmou que não atua comercialmente no país e que não há qualquer negociação em andamento nesse sentido, contrariando informações divulgadas pela imprensa internacional, segundo o Global Times.

A manifestação da Xiaomi ocorreu após uma reportagem do Financial Times afirmar que a Ford teria realizado discussões com a empresa chinesa para uma possível cooperação que permitiria a entrada de montadoras da China no mercado automotivo norte-americano. Em resposta enviada ao Global Times, um porta-voz da Xiaomi foi categórico ao rejeitar a informação. “Relatos de que a Xiaomi está discutindo uma joint venture com a Ford Motor Company são falsos. A Xiaomi não vende seus produtos e serviços nos Estados Unidos e não está negociando fazê-lo”, declarou.

Segundo o Financial Times, a Ford teria conversado não apenas com a Xiaomi, mas também com outras fabricantes chinesas, como a BYD, avaliando potenciais colaborações nos Estados Unidos. O jornal citou “quatro pessoas familiarizadas com as negociações” para sustentar a informação, mas não apresentou confirmações oficiais das empresas envolvidas além da negativa da Xiaomi.

O debate ocorre em um contexto de tensões comerciais e de mudanças na política industrial dos Estados Unidos. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou durante visita ao estado de Michigan que montadoras chinesas seriam bem-vindas para construir fábricas em território norte-americano, desde que utilizassem mão de obra local e gerassem empregos. Ao mesmo tempo, o governo manteve tarifas elevadas sobre veículos importados da China.

Especialistas ouvidos pelo Global Times avaliam que, apesar de possíveis brechas abertas por esse tipo de discurso, a entrada de montadoras chinesas no mercado dos Estados Unidos envolve riscos significativos. Zhang Xiang, secretário-geral da Associação Internacional de Engenharia de Veículos Inteligentes, afirmou que o processo enfrenta obstáculos políticos, regulatórios e de mercado. “A entrada de montadoras chinesas no mercado americano envolve riscos multifacetados, incluindo volatilidade política e de políticas públicas, longos prazos de construção de fábricas e grandes diferenças regulatórias”, disse.

Zhang também criticou o uso de tarifas como instrumento para estimular investimentos estrangeiros. “A imposição de tarifas nunca foi uma forma viável de levar montadoras estrangeiras a investir e produzir nos Estados Unidos”, afirmou, defendendo que o país adote um ambiente verdadeiramente aberto e não discriminatório. Segundo ele, “os Estados Unidos deveriam criar um terreno justo e nivelado para investidores chineses, sem riscos potenciais de barreiras”.

Desde 2 de abril de 2025, os Estados Unidos aplicam uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis importados. Sobre a medida, o porta-voz do Ministério do Comércio da China (MOFCOM), He Yadong, reiterou a oposição do governo chinês. “A China se opõe firmemente à imposição, pelos Estados Unidos, de medidas tarifárias relevantes com base na chamada investigação da ‘Seção 232’”, declarou.

He Yadong ressaltou ainda que a indústria automotiva global depende fortemente de cadeias industriais e de suprimentos transnacionais. “Cortar artificialmente a cadeia industrial e de suprimentos entre os Estados Unidos e outras regiões não contribui para a chamada ‘segurança nacional’ nem ajuda a indústria doméstica norte-americana; essas medidas apenas evidenciam o unilateralismo, o protecionismo e a natureza intimidadora das ações dos Estados Unidos”, afirmou.

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