AI Gemini

Resumo premium do artigo

Exclusivo para assinantes

Síntese jornalística com foco no essencial, em segundos, para leitura rápida e objetiva.

Fazer login
HOME > Ideias

Não à asfixia econômica de Cuba!

Impostas em 1960 com o objetivo de derrubar o governo de Fidel, as sanções foram sistematicamente reforçadas pelas diferentes administrações estadunidenses

Não à asfixia econômica de Cuba! (Foto: Divulgação)

Por Salim Lamrani (*) - Há mais de seis décadas, os Estados Unidos asfixiam o povo cubano ao impor sanções econômicas anacrônicas e desumanas. Essas medidas afetam os setores mais vulneráveis da população da ilha, em particular os doentes, as crianças, os idosos e as mulheres grávidas, e têm um impacto dramático em todos os setores da sociedade cubana. De caráter retroativo e extraterritorial, elas violam os princípios mais elementares do direito internacional. Desde 1992, são condenadas de forma unânime todos os anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Impostas em 1960 com o objetivo de derrubar o governo de Fidel Castro, essas sanções foram sistematicamente reforçadas pelas diferentes administrações estadunidenses, em especial durante a presidência de Donald Trump. Durante seu primeiro mandato, este último impôs 243 novas medidas coercitivas unilaterais – 50 delas em plena pandemia da Covid-19 – contra o povo cubano, atingindo as principais fontes de receita da ilha, a saber: a cooperação médica, as remessas da diáspora e o turismo. Assim, entre 2017 e 2020, a Casa Branca impôs, em média, uma nova sanção por semana durante quatro anos consecutivos.

Em 2025, as sanções custaram a Cuba 7,5 bilhões de dólares, ou seja, uma média de 20 milhões de dólares por dia, 15 mil dólares por minuto. Esse montante equivale ao consumo de energia elétrica dos 10 milhões de cubanos durante seis anos. Com essa mesma quantia, Cuba poderia garantir o abastecimento de produtos de primeira necessidade para toda a população durante seis anos. Desde sua imposição em 1960, as sanções custaram a Cuba um total de 170 bilhões de dólares, e mais de 80% da população cubana nasceu sob esse estado de cerco.

Em 29 de janeiro de 2026, o governo Trump adotou um decreto presidencial que classificou Cuba como uma “ameaça extraordinária e incomum à segurança dos Estados Unidos”, impondo tarifas a qualquer país que fornecesse petróleo a Cuba. A partir de então, a ilha – já duramente afetada pelo cerco econômico e por sucessivas catástrofes naturais – passou a enfrentar uma situação extremamente difícil, privada do combustível vital para sua economia e seus serviços essenciais. Em Cuba, o sistema elétrico, que abastece a rede de saneamento de água potável, os hospitais e as escolas, depende fortemente do fornecimento de petróleo.

Cuba não enfrenta uma crise: é vítima de um crime econômico perpetrado pelos Estados Unidos há décadas. A comunidade internacional deve rejeitar esse estrangulamento econômico e energético ilegal que asfixia a ilha e prestar apoio urgente à população cubana, que enfrenta uma situação humanitária de extrema gravidade. 

(*) Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-Americanos pela Universidade de Sorbonne e professor de História da América Latina na Universidade de La Réunion, especializado nas relações entre Cuba e os Estados Unidos

Artigos Relacionados